segunda-feira, 27 de março de 2017

UTAD vai acolher sede de rede para a investigação da vinha e do vinho

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, vai acolher a sede da rede de cooperação Riev2 que visa a investigação e experimentação da vinha e do vinho, um projeto impulsionado por vários ministérios.

   
O despacho que cria a Rede de Investigação e Experimentação da Vinha e do Vinho do Douro (Riev2) saiu hoje, em Diário da República, e foi assinado pelos ministros Adjunto, da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, do Planeamento e das Infraestruturas, da Economia, do Ambiente e da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.

A Riev2 é uma rede de cooperação científica e tecnológica para a investigação e experimentação da vinha e do vinho que vai ficar sediada na UTAD, em Vila Real.

O projeto envolve ainda o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, o Turismo de Portugal, o Regia Douro Park e o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto.

Segundo o despacho, esta rede deve facilitar a investigação e desenvolvimento experimental, incluindo atividades em campo e estufa, em aspetos como as alterações climáticas e influência nas condições produtivas das regiões vitícolas, o modo de produção biológico, qualidade do vinho e novas tendências, monitorização da rega da vinha, viticultura de precisão, produtividade da vinha ou autenticação de vinhos.

A rede deve realizar atividades de investigação e desenvolvimento (I&D) e formação superior inicial e pós-graduada e deve ainda envolver valências de viticultura e enologia, como o controlo da qualidade enológica, ecofisiologia, física e química dos solos, biotecnologia, genética e proteção de plantas.

As suas iniciativas devem ser articuladas com instituições de ensino superior e escolas de formação profissional.

A Riev2 vai ser dirigida por um conselho de coordenação, composto por representantes das entidades que constituem a rede, o qual deve reunir semestralmente, deve organizar uma conferência anual e tem que apresentar ao Governo, no prazo de um ano, um plano estratégico para o desenvolvimento institucional e afirmação da rede, no contexto nacional e internacional.

Esta rede foi desenvolvida em articulação com o estímulo do Governo para a criação de "Laboratórios Colaborativos", que têm como objetivo a definição e implementação de agendas de investigação e inovação, assim como o desenvolvimento de processos de internacionalização da capacidade científica e tecnológica nacional.

Setor do azeite triplicou as exportações na última década


20 Mar 2017, 00:00


O Secretário de Estado da Agricultura, Luís Vieira, aproveitou a abertura do IV ENCONTRO IBÉRICO DO AZEITE, em Abrantes, para destacar a trajetória de sucesso do setor do azeite em Portugal.

"Portugal quadruplicou a produção de azeite na última década e é atualmente o 7.º produtor mundial, ocupando o 4.º lugar entre os países exportadores, tendo exportando 434 milhões de euros em 2015", sublinhou Luís Vieira. Luís Vieira considera que "este percurso se deve à conjugação de vários fatores: às novas áreas de regadio, sobretudo na região de Alqueva, ao investimento inovador e qualificado em pomares modernos com um perfil tecnológico elevado e ao aumento significativo da produtividade".

Neste cenário, estima-se que a produção de azeite possa atingir as 120.000 toneladas, volume resultante, em larga medida, da entrada em produção de novos olivais. O Alentejo quintuplicou a produção de azeite nos últimos 15 anos e representa já 76% da produção nacional de azeite. As políticas públicas de apoio ao investimento têm tido um papel relevante neste processo. Entre 2007 e 2014, o PRODER apoiou 4.000 projetos de investimento com 700 milhões de euros, a que correspondeu um apoio público de 290 milhões de euros. Luís Vieira destacou "a instalação de 1500 jovens agricultores, com um investimento associado de 130 milhões de euros e apoios públicos da ordem dos 95 milhões de euros, um sinal evidente de transformação estrutural da agricultura portuguesa".

Esta tendência mantem-se no PDR2020 que já aprovou 553 projetos de investimento na produção e transformação, no montante global de 144 milhões de euros, a que corresponde um apoio público de 57 milhões de euros. Luís Vieira incentivou o setor "a continuar este caminho de sucesso, investindo na inovação e na qualidade diferenciada, tirando partido das condições únicas existentes nas novas áreas de regadio e aproveitando as oportunidades de um mercado mundial em crescimento, expressão do reconhecimento generalizado do contributo do azeite para uma alimentação saudável".

Tecnologia ao serviço do azeite

Máquinas usadas em olivais super intensivos dão origem a milhões de litros. 

Por João Ferreira e Suely Costa|19.03.17

A tecnologia substitui a apanha da azeitona pelos varejadores 0 0É azeite. Chama-se 'O Amor é Cego' e retrata mesmo uma história de amor, principalmente à terra que João Rosado herdou do avô. Um olival pequeno com árvores centenárias e até milenares que o professor de matemática recuperou, dando origem a um azeite de elevada qualidade. A contrastar com este método de produção tradicional estão as herdades onde a tecnologia é quem mais ordena em todas as fases de produção do néctar da azeitona. 

Nestes olivais tecnológicos a apanha é feita com recurso a uma espécie de tratores gigantes que passam por cima das oliveiras. Através da vibração fazem cair as azeitonas para uns tapetes que as separam logo das impurezas e as colocam em grandes recipientes para serem levadas para o lagar. Estas máquinas que dão uns ares aos 'Transformers', são usadas em olivais super intensivos que dão origem a milhões de litros. "Um sistema mais rentável a nível financeiro", como reforça Ana Rosado, do Lagar da Cartuxa. No antigamente, a apanha era feita à mão. Homens e mulheres batiam com canas nas oliveiras para que a azeitona caísse, muitas vezes danificando os ramos. Hoje, realça Patrícia Peixoto, enóloga da Casa Santa Vitória, "a tecnologia faz com que o tempo da apanha seja três vezes mais rápido garantindo a colheita de 170 hectares de olival por mês". 

Além da apanha, a ciência e a tecnologia garantem hoje a qualidade do azeite. Em laboratório, as análises científicas determinam quando a azeitona está no ponto ideal para ser apanhada e, já no lagar, ajudam a perceber os níveis de acidez, humidade e gordura, fatores que podem influenciar a qualidade final do azeite. 

Hoje em dia, o azeite pode ser feito em apenas quatro horas. Um método de produção suportado por um sistema informático que acompanha tudo ao pormenor, desde a receção da azeitona até à sua selecção. Os entendidos na matéria sublinham que a qualidade do azeite Português é muito elevada, um factor que contribuiu para que sejamos o 4º maior produtor europeu. O Alentejo é responsável por quase 80% de toda a produção nacional. Mas a tecnologia conta na qualidade e no sabor final do azeite? 

Especialistas como Edgardo Pacheco, jornalista do Correio da Manhã e autor do livro 'Os 100 melhores azeites de Portugal', garantem que a única coisa que conta é a azeitona.

Ferraz da Costa apresenta conclusões sobre Agricultura e Floresta nacionais


Nuno Miguel Silva
 23 Mar 2017

Conclusões do grupo de trabalho constituído no âmbito do Fórum para a Competitividade serão conhecidas hoje à tarde.


Pedro Ferraz da Costa, presidente do Fórum para a Competitividade, apresenta hoje, ao início da tarde, as conclusões do relatório do grupo de trabalho para analisar os setores nacionais da Agricultura e Floresta, na Universidade Católica, em Lisboa.

Pedro Ferraz da Costa fará a abertura do seminário que irá debater as conclusões deste relatório do grupo de trabalho, que será apresentado por Pedro Braz Teixeira, também do Fórum para a Competitividade.

Seguir-se-á uma mesa redonda, que terá como moderador João Machado, presidente da CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal.

"Em que medida pode a agricultura portuguesa contribuir para um crescimento económico mais forte nos próximos 10 anos?", é o tema desta mesa redonda.

estão já confirmados nesta mesa redonda António Marquez Filipe, da Symington; António Serrano, da Jerónimo Martins; Luís Folque, da Sovena; Nuno Santos, da The Navigator Company; e Paulo Américo Oliveira, da Amorim Florestal.

Ontem, ao fecho desta edição, ainda estava por confirmar a presença de Jorge Ortigão Costa, da Sugal.

A floresta tem estado na ordem do dia nos últimos dias em Portugal.

Na passada terça-feira, o Governo, em conselho de Ministros aprovou um conjunto de medidas como a criação de um regime jurídico de reconhecimento das entidades de gestão florestal e a simplificação do processo de constituição das Zonas de Intervenção Florestal (ZIF).

Foi também alterado o regime jurídico dos Programas Regionais de Ordenamento Florestal, atribuindo aos municípios uma maior intervenção nos  processo de decisão, além ter sido aprovada uma proposta de lei que institui um regime de incentivos e isenções fiscais e de emolumentos, que será aplicável às referidas EGF.

O Conselho de Ministros da passada terça-feira, Dia Mundial das Florestas, decidiu ainda criar centrais de biomassa, atribuindo aos município potências disponíveis para produção de energia, com preços apoiados, a partir de biomassa florestal residual (BFR).

Por despacho do Ministro da Agricultura. foi também decidida a criação da Comissão para os Mercados e Produtos Florestais (CMPF), "com a missão de conciliar estratégias de regulação de mercado no que respeita a recursos florestais (…)".

No capítulo do combate aos incêndios, foram aprovadas duas propostas de lei, uma para rever o Sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios e outra para rever o Regime Jurídico das Ações de Arborização e de Rearborização, para travar a expansão da área de plantação dos eucaliptos, além de ter sido criado o Programa Nacional de Fogo Controlado.

"Travar a expansão da área florestal com eucaliptos é essencial para termos uma floresta mais ordenada, uma melhor prevenção contra os incêndios e uma gestão mais ordenada", defendeu o primeiro-ministro, António Costa, no debate quinzenal que decorreu na Assembleia da República.

António Costa sublinhou, das medidas tomadas em Conselho de Ministros na véspera, a hipótese de associação livre entre produtores florestais e entidades de gestão florestal, sejam elas de natureza societária ou cooperativa.

O primeiro-ministro disse ainda que é imperioso "obter um consenso alargado" no Parlamento ara avançar com o cadastro florestal, um  processo que, a Norte do Tejo, está parado há mais de dois séculos, conforme sublinhou.

"Investir na floresta é investir na rentabilidade do nosso território", destacou António Costa, sublinha a criação de um pacote fiscal "tendo em vista incentivar" esse mesmo investimento.

O primeiro-ministro defendeu que "a diversidade florestal permite reforçar a resiliência ao incêndio" e explicou que "quem está em cada uma das terras está em melhores condições para fiscalizar", justificando os maiores poderes concedidos às autarquias em matéria florestal e a tentativa de concentrar as competência detidas pelo ICN – Instituto da conservação da Natureza.

Há cinco anos que a agricultura cresce mais que o resto da economia



23.03.2017 às 14h57

 
MARCOS BORGA
Entre 2011 e 2015 o sector da agricultura, cresceu 2,4%, contra -0,9 no conjunto da economia. A produtividade aumentou 12% (0,3% na economia no seu todo). Ficou mal na fotografia no domínio do emprego, variável que caiu 8,3%, contra 1% no conjunto da atividade económica. As conclusões foram hoje apresentadas em Lisboa pelo Forum para a Competitividade.



O sector da agricultura "portou-se melhor do que a economia nacional como um todo", nos últimos cinco anos.

A conclusão consta de um estudo hoje apresentado em Lisboa pelo Forum para a Competitividade, onde se destaca ainda que, excetuando a variável do emprego (com uma quebra de 8,3% contra 1% no total da economia), é de assinalar o crescimento da produtividade (em certa medida por partir de uma base baixa) e a subida em 13 pontos percentuais na taxa de cobertura das importações.

Há, no entanto, na agricultura, um conjunto significativo de áreas que precisam de reformas, das quais o Forum para a Competitividade destaca: "a excessiva fragmentação da propriedade; a insuficiência do regadio, quando o nosso clima o torna essencial; o elevado custo de factores; a morosidade do licenciamento e burocracia; a insuficiente valorização dos bens públicos produzidos pelo sector; demasiadas condicionantes ambientais, sobretudo pela rigidez com que são geridas; e ainda mão-de-obra com qualificações muito baixas", para além de uma notória necessidade de reforçar as exportações e expandir fortemente o turismo rural.

APOSTA EM MARCAS PRÓPRIAS

A aposta no desenvolvimento de marcas próprias, bem como o aumento da incorporação de valor acrescentado aos produtos agrícolas são igualmente fatores de importância estrutural segundo aquela entidade.

No documento hoje divulgado, é ainda reforçada a ideia de que, para ser competitiva, a agricultura necessita de uma redução no custo dos factores de produção "como seja a energia e a água, mas esta redução não pode ser apenas do lado do preço, mas cada vez mais pelo aumento da eficiência no seu uso".

O Forum para a Competitividade sublinha também que é essencial "atualizar e desenvolver um Plano para a Internacionalização do Agroalimentar, integrando as diferentes estruturas representativas do sector, articulando as diferentes entidades públicas, associativas e privadas nos mercados externos". Por outro lado, importa igualmente reforçar a presença em mercados externos, com investimento no conhecimento dos mercados e dos consumidores finais.

Para o subsetor da floresta é sugerida a criação de uma "fiscalidade que incentive e promova a gestão agregada", o reforço das estruturas já existentes (Ex: Associações e Zonas de intervenção Florestal) e propor novos modelos, como é o caso das Sociedades de Gestão Florestal previstas no âmbito da reforma agora proposta pelo Governo.

INVESTIMENTO NA FLORESTA PASSA PELO EUCALIPTO E PELO PINHO

É necessário, segundo o documento hoje apresentado, que as Sociedades de Gestão Florestal possam apresentar retornos aos seus investidores, "com um portfólio de investimentos com níveis equilibrados de liquidez e rentabilidade, sendo essencial haver apoios claros à floresta de produção (eucalipto, pinho, etc.)".

Numa crítica à intenção do Governo em descentralizar competências em matéria de gestão florestal para as câmaras municipais, o Forum para a Competitividade conclui que "a floresta não pode ser vista como mais um pelouro em cada autarquia. O Estado não pode abdicar das competências que lhe são conferidas pela Lei de Bases da Política Florestal e pela Estratégia Nacional para as Florestas, com um modelo de governança único e coerente em todo o território que garanta a "Melhoria Geral da Eficiência e Competitividade do Sector".

Agricultura chegou à Península Ibérica através do Mediterrâneo



As investigadoras Joana Pereira e Luísa Pereira, da Universidade do Porto

Investigadores do Porto reconstituíram a história daqueles primeiros agricultores ibéricos através do estudo genético de amostras atuais da população das várias regiões em causa

Investigadores do Porto reconstituíram a viagem dos primeiros agricultores que chegaram à Península Ibérica, há 7500 anos, recorrendo a estudos genéticos. Com isso, a equipa coordenada por Luísa Pereira, do instituto de investigação I3S, da Universidade do Porto, conseguiu comprovar que essa primeira rota foi feita através do Mediterrâneo, e não por terra, pondo assim termo a um mistério: o da aparente rapidez com os povos agrícolas oriundos do Médio Oriente chegaram às terras mais ocidentais do continente europeu.

"Estudando as linhagem genéticas atuais, através de amostras de 200 indivíduos, conseguimos fazer essa viagem ao passado, lendo e datando as pequenas alterações que essas linhagens sofreram através das gerações", explica ao DN Luísa Pereira, que coordenou o trabalho, juntamente com o investigador Martin Richards, da Universidade de Leeds, no Reino Unido. Joana Pereira é a principal do estudo, que resulta do seu próprio doutoramento, e que foi publicado ontem na revista Proceedings of the Royal Society B.

Os achados arqueológicos mais antigos que documentam a atividade agrícola na Península Ibérica, entre restos de cerâmicas, de utensílios ou de ossos de animais domesticados, como ovelhas e cabras, datam de há 7500 anos. Em Itália, por outro lado, os vestígios mais antigos desse tipo têm cerca de oito mil anos, o que muito intrigava os arqueólogos. Como teria sido possível que esse movimento populacional só tivesse levado 500 anos a completar-se, entre a Itália e a Península Ibérica, sendo a distância tão grande?

"O arqueólogo português João Zilhão propôs um modelo, apontando a possibilidade de essa viagem ter sido feita por via marítima, através do Mediterrâneo", conta Luísa Pereira, sublinhando que o estudo da sua esquipa veio agora "confirmar exatamente isso".

Usando amostras de ADN mitocondrial (a informação genética que existe na mitocôndria, uma pequena estrutura celular) que é transmitido por via exclusivamente materna, a equipa conseguiu encontrar em Itália, na região da costa oriental, o elo comum que deslinda a questão, mostrando que a chegada dos primeiros agricultores a esta ponta do Velho Continente foi feita por via marítima.

O que esta história genética conta é que esses agricultores, chegados a Itália há oito mil anos, se misturaram aí com as populações locais, transmitindo-lhes também os novos conhecimentos que traziam. E foi depois dessa mistura de povos que saíram, então, os agricultores que, 500 anos depois, acabaram por se estabelecer em vários pontos da costa sul da Península Ibérica: por toda a zona de Barcelona, Valência, Málaga, costa sul de Portugal ou região do Sado. A exceção é a costa norte da Península Ibérica, onde apenas se encontram vestígios mais tardios de agricultura, o que poderá explicar-se por uma migração diferente, feita já internamente, através do território da península.

"Os nossos dados mostram outra coisa interessante, que é o facto de aquele grupo que se instalou na região de Itália, vindo do Médio Oriente, ter sido relativamente reduzido", diz Luísa Pereira.

Ou seja, não se tratou de uma grande migração, mas de um pequeno grupo, o que mesmo assim foi suficiente para que os povos que viviam naquelas paragens adotassem a nova cultura agrícola. "O que aconteceu foi sobretudo a adoção por parte da população local das novas práticas e vivências que esses grupos traziam consigo", sublinha a investigadora, notando que isso se repetiu também na península. Os que chegaram até cá através do Mediterrâneo eram um grupo relativamente pequeno. Mas, uma vez mais, os povos locais adotaram os novos conhecimentos e práticas que, assim, se disseminaram.

Para o grupo de Luísa Pereira, que desde 2006 dirige no IPATIMUP, agora integrado no I3S, um grupo de investigação sobre diversidade genética, o que se segue agora, nesta linha de investigação, é tentar perceber melhor como se deu a expansão da agricultura para o Norte de África. "Os vestígios mais antigos ali são de há cerca de seis mil anos e portanto é possível que ela tenha lá chegado a partir da Península Ibérica. É o que vamos tentar verificar".

Ministro da Agricultura "pergunta pelos críticos de Alqueva"


O ministro da Agricultura, Capoulas Santos
Foto: DR


Teixeira Correia
24 Março 2017 às 14:01

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, visitou Ourique na manhã desta sexta-feira e inaugurou a Feira do Porco Alentejano, que se realiza naquela vila até ao próximo domingo.

Antes de percorrer os diversos expositores, Capoulas Santos esteve em Garvão, também naquele concelho, onde inaugurou a segunda fase de ampliação e modernização da Fábrica Montaraz, uma unidade de transformação de enchidos, que emprega 50 pessoas.

À margem do certame, o titular da pasta da agricultura falou aos jornalistas e quando questionado sobre Alqueva. "Tenho muita honra em ter estado no lançamento desta infraestrutura e ter feito dela a batalha da minha vida", disse Capoulas Santos.

O ministro não deixou de referir que "agora que o projeto passou a fase mais complicada, é bom verificar que os críticos desapareceram", e que Alqueva vai cumprir um dos seus grandes objetivos, "combater a desertificação", concluiu.

No passado dia 14, o ministro esteve em Beja, numa reunião de trabalho com a Comissão de Acompanhamento do Regadio de Alqueva, na qual anunciou a redução do preço da água entre os 20 e os 33%. Os beneficiários diretos vão pagar menos 20% por metro cúbico da água consumida em alta pressão, enquanto as explorações em baixa pressão vão ter uma redução de 33%.

Quando questionado sobre essa decisão, justificou que "baixar os preços não é fácil e foi um exercício articulado com os Ministérios das Finanças e do Ambiente, para chegar a uma solução satisfatória que garanta condições de competitividade aos agricultores", rematou.

Capoulas Santos foi mais longe ao afirma que "a agricultura em Portugal atravessa um dos seus melhores momentos". Justificando que o país "está a reduzir e a substituir importações e a reduzir o défice agroalimentar", o ministrou acrescentou ainda que Portugal "está a crescer sustentadamente na exportação de muitos produtos agrícolas".

Antes de finalizar a visita Capoulas Santos participou no encerramento de um seminário sobre o porco alentejano e reconheceu o importante papel da Associação de Criadores do Porco Alentejano (ACPA), atribuindo uma condecoração do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.

Douro indignado com mais área de vinha



24.03.2017 às 8h29

 
DR
Lavoura e comércio insurgem-se contra a decisão do Governo de aumentar a mancha de plantação. São só 150 hectares, mas é um sinal "de desprezo e desrespeito" pela região

Abílio Ferreira
ABÍLIO FERREIRA
Os agentes vitivinícolas do Douro estão revoltados com o Ministério da Agricultura. Lavoura e comércio insurgem-se contra a decisão de aumentar em 150 hectares a mancha plantada e já escreveram a reivindicar a revogação da portaria que choca com as recomendações do Conselho Interprofissional (CI) e pressiona os produtores de uma região com um excesso de 40 milhões de litros por colheita.

A Secretaria de Estado da Agricultura e Alimentação (SEAA) explica ao Expresso que a medida destina-se a compensar parcialmente os 1500 hectares de vinha que, segundo os dados da IVV – Instituto da Vinha e do Vinho "se terão perdido nos três últimos anos".

Esta redução de 500 hectares por ano e "a elevada apetência da região pelo investimento na vitivinicultura que em 2016, com a a apresentação de candidaturas para 212 hectares, levou o Governo a autorizar a plantação de uma área equivalente a 10% da área perdida", explica o gabinete do secretário de Estado Luís Vieira, por sinal natural de Valpaços.

DESPREZO PELA REGIÃO
Mas, alegam as organizações da região, os dados do IVV estão errados, bastando para isso consultar o cadastro do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP). A área plantada no Douro cresceu nos últimos anos 1469 hectares, sendo 270 afetos à denominação de origem (DOP) e indicação geográfica protegida (IGP). Ou seja, os dois organismos da mesma tutela não comunicam.

E há ainda direitos de replantação concedidos a produtores de fora da região que não foram exercidos (870 ha) e fatores como a renovação da vinha que só quem segue a região como o IVDP incorpora. O documento do IVDP que sustenta a posição da CI refere quem nos últimos seis anos, a área afeta à produção de vinhos protegidos (DOP e IGP) aumentou 3,1%.

A Associação de Empresas do Vinho do Porto (AEVP) classifica a ampliação da mancha "inaceitável, sem qualquer fundamento e gravosa para a lavoura duriense". E repudia a medida da SEAA por "basear-se em dados falsos e ignorar o excesso de produção", traduzindo um "desrespeito pela posição fundamentada da CI e desprezo pelo papel do IVDP" a quem deveria caber a gestão do potencial vinícola. "É preciso sair de Lisboa e ver o país real", diz António Saraiva, presidente da AEVP.

E 150 hectares numa mancha de 43 mil (250 mil pipas) é um valor tão relevante assim? "Não é dispicienda, mas não terá grande impacto", reconhece António Lencastre, presidente da Federação Renovação Douro (ex-Casa do Douro) que representa os 23 mil produtores recenseados na região.

Mas, "é uma questão de princípio. O que mais indigna é o desprezo pela posição da CI, sem se conhecer o critério e base técnica que fundamenta a medida. O que se segue a estes 150 hectares e quando termina o ciclo de expansão?", interroga António Lencastre, para quem é inverosímil que numa região e que, por causa do benefício, cada hectares é valorizado em 2000 euros, os proprietários tenham destruído vinhas avaliadas em 3 milhões de euros. O essencial "não é a área plantada mas sim "a relação entre a produção e venda", defende o viticultor.

ENGROSSAR O EXCEDENTE
António Saraiva reconhece que o reforço da mancha é irrelevante, mas o que está causa "é o sinal errado que é dado", sem atender aos interesses da região e desrespeitando as organizações representativas". Em vez de "valorizar os produtores, a política pública tende a engrossar o excedente para vinho de mesa, com preços muito baixos, determinados por grandes produtores como Espanha". O caráter de monocultura e viticultura de montanha torna o valor fiduciário mais elevado e a região muito sensível a alteração de área plantada. O argumento da apetência do investimento "é falaciosa". É a notoriedade e prestigio que levam a uma procura intensa, mas o ponto "é que a região produz muito mais do que vende", acentua a AEVP.

A Comissão Europeia recomenda o crescimento anual de 1% da área plantada (até 2030), cabendo a cada país gerir as novas autorizações. Em 2017, são mais 1932 hectares, cabendo 800 ao Alentejo. A Madeira e o Douro sugeriam um aumento simbólico. Mas, no caso do Douro o ministério não acolheu a recomendação. Os agentes da região sugerem que os 150 hectares sejam distribuídos pelas 10 outras regiões que querem crescer na área de vinha.

A SEAA refere que as autorizações estão dependentes dos resultados do concurso E reage às críticas com diplomacia. "Num mercado aberto e competitivo existem sempre tensões entre os diferentes atores, entendendo o Governo as críticas nesse contexto".

O IVDP descartou comentar a polémica, remetendo para a posição da tutela.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Glifosato não deve ser considerado cancerígeno

Comissão Europeia deve relançar o procedimento para a renovação da licença desta substância. 

Os especialistas da Agência Europeia dos Produtos Químicos consideraram hoje que o glifosato não deve ser considerado cancerígeno, o que deverá levar a Comissão Europeia a relançar o procedimento para a renovação da licença desta substância, utilizada como herbicida. O Comité de Avaliação de Riscos chegou, por consenso, à conclusão de que a substância não deve ser catalogada como potencialmente cancerígena, depois de analisar toda a informação recolhida sobre o glifosato, cuja utilização é contestada por muitos na União Europeia, anunciou hoje em Helsínquia o diretor da agência, com sede na capital finlandesa. A Agência Europeia dos Produtos Químicos (ECHA) tem a responsabilidade de classificar os produtos químicos na UE e determinar o seu perigo potencial. 

Face a este parecer, há muito aguardado, a Comissão Europeia deverá relançar o procedimento com vista à renovação da licença para utilização do glifosato, um processo que conheceu diversos avanços e recuos devido à falta de entendimento entre os Estados-membros da UE. O parecer da ECHA já mereceu críticas por parte de diversas Organizações Não Governamentais (ONG), que recordam outros pareceres científicos em sentido contrário. "Para chegar às suas conclusões, a ECHA rejeitou provas científicas flagrantes de cancro em animais de laboratório", lamentou já a Greenpeace, que acusou ainda os especialistas da agência europeia de ignorarem os alertas de dezenas de cientistas independentes, baseando-se antes em estudos não publicados encomendados por produtores de glifosato. 

Em Portugal, o Governo já aprovou, em 26 de janeiro, a proibição do uso de pesticidas em espaços públicos como jardins infantis, parques e jardins urbanos, escolas e hospitais "com o objetivo de reduzir e controlar os efeitos sobre a saúde pública". A alteração da regulação relativa aos produtos fitofarmacêuticos - produtos químicos para uso agrícola com o objetivo de combater ou evitar pragas em culturas e plantas - já havia sido antecipada em julho do ano passado pelo ministro do Ambiente, no quadro da polémica suscitada em torno do uso do glifosato, sobretudo em meio urbano, devido ao seu potencial carcinogénico.

Estado injecta mais de 20 milhões em Alqueva em duas semanas

O accionista público da EDIA injectou dinheiro na empresa pela segunda vez no espaço de 11 dias: no total, são 22,2 milhões de euros colocados na gestora do Alqueva no que vai de 2017.

Paulo Zacarias Gomes Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt

16 de março de 2017 às 13:34

Em menos de duas semanas, a EDIA - empresa que gere a barragem do Alqueva - viu reforçados por duas vezes os seus capitais, com a injecção de mais dinheiro público.

Depois dos 13,9 milhões de euros colocados no aumento de capital que tinha sido decidido a 2 de Março, o Estado pôs, 11 dias depois, mais 8,3 milhões de euros na empresa. No total, são já 22,23 milhões de euros desde o início deste ano.

A entrada de capital consta de um comunicado enviado esta quinta-feira, 16 de Março, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que assim faz ascender o capital social da Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva aos 486,57 milhões de euros.

"No dia 13 de março de 2017 foi aprovado por deliberação social unânime por escrito aumentar o capital social da EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva, S.A., em 8.315.120 euros, através da emissão de 1.663.024 de ações nominativas, no valor de 5 euros cada, a subscrever e realizar pelo acionista Estado Português, em numerário," lê-se no documento.

Esta é a terceira operação de reforço de capital em três meses. No final de 2016, colocou 17,2 milhões de euros no capital da empresa e a 2 de Março mais 13,9 milhões. 

No ano passado o Estado procedeu a seis aumentos de capital, levando-o a aumentar em 63,48 milhões de euros.

No primeiro semestre do ano passado – de acordo com as contas mais recentes disponíveis no site da CMVM – a empresa investiu 19 milhões de euros na rede de rega primária e secundária associada à barragem, sem contar com capitalizações de encargos de estrutura e financeiros.

A empresa tem em curso o projecto que aumenta o perímetro de rega de 120 para 170 mil hectares, que implica um investimento de 217 milhões de euros. O objectivo, como disse em Janeiro ao Negócios o presidente da EDIA, José Pedro Salema, é candidatar metade do valor a apoio do Banco Europeu de Investimento, "ao abrigo do plano Juncker", vindo o montante restante de recursos próprios e do Plano de Desenvolvimento Rural.

No mesmo semestre de 2016 foram reembolsados empréstimos de médio e longo prazo de 19,135 milhões de euros para pagamentos dos créditos contraídos junto da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças e do Banco Europeu de Investimentos. Estes pagamentos colocaram o financiamento líquido ao empreendimento nos 6 milhões de euros entre Janeiro e Junho.

No mesmo intervalo, a EDIA teve prejuízos de cerca de 9,7 milhões de euros, que comparam com 6,24 milhões de euros um ano antes. Nesse mesmo período, o capital próprio foi reforçado em cerca de 21 milhões de euros. 

Setor do azeite triplica as exportações na última década


NOTA À COMUNICAÇÂO SOCIAL

O Secretário de Estado da Agricultura, Luís Vieira, aproveitou esta manhã a abertura do IV ENCONTRO IBÉRICO DO AZEITE, em Abrantes, para destacar a trajetória de sucesso do setor do azeite em Portugal.

"Portugal quadruplicou a produção de azeite na última década e é atualmente o 7.º produtor mundial, ocupando o 4.º lugar entre os países exportadores, tendo exportando 434 milhões de euros em 2015", sublinhou Luís Vieira.

Luís Vieira considera que "este percurso deve-se à conjugação de vários fatores: às novas áreas de regadio, sobretudo na região de Alqueva, ao investimento inovador e qualificado em pomares modernos com um perfil tecnológico elevado e ao aumento significativo da produtividade". Neste cenário, estima-se que a produção de azeite possa atingir as 120.000 toneladas, volume resultante, em larga medida, da entrada em produção de novos olivais. O Alentejo quintuplicou a produção de azeite nos últimos 15 anos e representa já 76% da produção nacional de azeite.

As políticas públicas de apoio ao investimento têm tido um papel relevante neste processo. Entre 2007 e 2014, o PRODER apoiou 4.000 projetos de investimento com 700 milhões de euros, a que correspondeu um apoio público de 290 milhões de euros. Luís Vieira destacou "a instalação de 1500 jovens agricultores, com um investimento associado de 130 milhões de euros e apoios públicos da ordem dos 95 milhões de euros, um sinal evidente de transformação estrutural da agricultura portuguesa".

Esta tendência mantem-se no PDR2020 que já aprovou 553 projetos de investimento na produção e transformação, no montante global de 144 milhões de euros, a que corresponde um apoio público de 57 milhões de euros.

Luís Vieira incentivou o setor "a continuar este caminho de sucesso, investindo na inovação e na qualidade diferenciada, tirando partido das condições únicas existentes nas novas áreas de regadio e aproveitando as oportunidades de um mercado mundial em crescimento, expressão do reconhecimento generalizado do contributo do azeite para uma alimentação saudável".

Lisboa, 06 de março de 2017

terça-feira, 14 de março de 2017

PAC volta a estar no centro das preocupações da União Europeia


António Freitas de Sousa

 08 Mar 2017

Essa espécie de monstro inamovível está a gerar cada vez menos emprego e não tem capacidade para fixar gente nova.

Sebastien Pirlet/Reuters

A União Europeia vai debater o futuro da Política Agrícola Comum (PAC) e a forma como deve lidar com os objectivos estabelecidos no plano de investimento Juncker para relançar o crescimento e o emprego na Europa. A PAC é um dos mais antigos e maiores problemas da União Europeia, tanto em termos das relações de forças entre os países que a compõem, como também, tema pouco debatido, no que tem a ver com novas entradas no espaço comum. Um dos aspectos mais controversos da entrada da Turquia na UE – quando o dossier estava em cima da mesa – residia exactamente na forma como aquela enorme produtora agrícola iria encaixar no 'establishment' agrícola comum.

A PAC é normalmente, há muitos anos, sinónimo de passivo. Segundo números fornecidos pela própria União, "o número de explorações agrícolas na Europa diminuiu 20% entre 2007 e 2013; esta redução do número de explorações agrícolas é acompanhada por perdas significativas de postos de trabalho. A insuficiente renovação das gerações é também um problema crescente na Europa, uma vez que 30% dos gestores agrícolas têm mais de 65 anos".

Recorde-se quo o Parlamento Europeu adoptou recentemente um relatório em que apelava às instituições da UE para repensar os objectivos da PAC, "a fim de o tornar uma vez mais um factor de benefício de todos os europeus, que responda às necessidades da sociedade e resolva os desafios do emprego".

O debate que hoje começa tem, por isso, um duplo objectivo: "lançar um impulso político para debater todos os aspectos da futura PAC a partir de uma perspectiva local e regional; e elaborar um parecer prospectivo do Comité das Regiões sobre o futuro da PAC após 2020".

Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos, mas a verdade é que a política agrícola tem dado mostras de ser um gigante praticamente impossível de mover – o que só piora numa envolvente em que algumas matérias-primas atingem preços muito baixos quando oriundas de outras geografias – já para não se referir a questão dos produtos geneticamente modificados, que segue em paralelo à questão central da PAC.

Capoulas Santos quer discutir com académicos e agricultores futuro da PAC


6 mar 2017 · 17:27

SAPO 24 com Lusa

O ministro da Agricultura anunciou hoje, em Bruxelas, que vai constituir um grupo de acompanhamento para o ajudar a definir as posições de Portugal na negociação sobre o futuro da Política Agrícola Comum (PAC), "a mais difícil" de sempre.

 
Em declarações aos jornalistas após o conselho de ministros da Agricultura da União Europeia que marcou o arranque de "um longo processo negocial que se irá arrastar muito provavelmente ao longo dos próximos três anos e que irá definir quer as regras, quer os meios financeiros para a PAC pós-2020″, Luís Capoulas Santos indicou que o Governo decidiu abordar o debate com uma "postura construtiva", mas também ofensiva e informada, pelo que conta com os contributos de académicos e agricultores.

"Não é difícil antever que esta será porventura a mais difícil negociação sobre esta matéria desde a fundação da UE. Todos conhecemos os momentos conturbados que vivemos, a que acresce recentemente o previsível impacto do 'brexit', e que certamente constituirá um fator de perturbação adicional numa negociação já de si bastante complexa", começou por referir.

Nesse contexto, anunciou que tenciona, "nos próximos dias, constituir em Portugal um grupo de acompanhamento do ministro, neste caso do Ministério da Agricultura, ao longo deste processo", que será "constituído por um conjunto de peritos", sendo sua intenção "convidar naturalmente alguns dos melhores cérebros portugueses nesta matéria", oriundos do meio universitário.

Paralelamente, acrescentou, constituirá um outro "grupo de representantes onde estarão as principais confederações agrícolas portuguesas".



"Procurarei assim que o trabalho produzido pelos académicos seja confrontado com as preocupações reais dos agricultores e que, dessa síntese, o ministro possa retirar contributos que lhe permitam, no seio do Conselho, e em articulação com as demais instituições europeias, assumir ao longo deste processo as posições negociais que nos parecem mais vantajosas", explicou.

Capoulas Santos revelou ainda que "Portugal pensou que a melhor forma de se posicionar neste debate era jogar na antecipação", razão pela qual apresentou hoje no Conselho um documento orientador, onde define aquelas que considera que devem ser "as prioridades para uma reforma futura da PAC", e onde, ao mesmo tempo, procura "acautelar interesses portugueses".

"Apesar das dificuldades que se avizinham, espero que possamos chegar ao final com um desfecho positivo para Portugal e para os agricultores portugueses, garantindo-lhes estabilidade e garantindo-lhes rendimento. É essa a principal preocupação do Governo", concluiu.

Governo aprova banco de terras para todos no Dia da Floresta


11 DE MARÇO DE 2017 - 23:27

Novo banco de terras vai reunir o património do Estado e de outras origens para vender ou alugar a agricultores. Prioridade vai ser dada aos jovens.

Capoulas Santos
Foto:  Nuno Pinto Fernandes/Global Imagens
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Está a chegar a oportunidade para quem ambiciona um pedaço de terra para trabalhar. Ter terreno agrícola vai deixar de ser privilégio só de alguns, segundo o ministro Capoulas Santos

Reportagem de Roberto Dores
É já a 21 de março, Dia Mundial da Floresta, que o Conselho de Ministros deverá aprovar o diploma que cria o Banco de Terras e o Fundo de Mobilização, para que os campos até hoje votados ao abandono nunca mais sejam os mesmos. A prioridade vai ser dada aos jovens.

Capoulas Santos que falou à TSF em Évora, à margem de um encontro de veterinários, anunciou a criação de 92 mil hectares de regadio até 2020. 47 mil previstos para a extensão de Alqueva e outros 45 mil distribuídos pelo resto do país.

CES aposta no consenso para reformar floresta



JORGE AMARAL/GLOBAL IMAGENS
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Correia de Campos junta agentes do setor para analisar mudanças na política florestal

A floresta e a sua reforma estão na ordem do dia com a proposta legislativa apresentada pelo governo. O Conselho Económico e Social (CES) entra no debate e promove hoje um seminário que envolverá os diversos agentes que intervêm no setor. "É um dos temas em que nos parece possível que a sociedade portuguesa se ponha de acordo e defina uma política em vez de reagir aos acontecimentos", disse ao DN Correia de Campos, presidente do CES.

O seminário Economia da Floresta e Ordenamento do Território irá decorrer em Mação, no centro do país, uma das áreas com mais floresta e das mais afetadas pelos incêndios. "Queríamos fazer isto fora de Lisboa e Mação é uma zona de risco. Embora o seminário não seja sobre fogos mas sim sobre a floresta e os seus recursos", explicou o antigo ministro da Saúde.

Como se trata de uma "matéria transversal", no debate entram as dimensões de território, agricultura, indústria, comércio. Daí o encontro a realizar no Auditório do Centro Cultural Elvino Pereira agrupar autarcas, investigadores, agricultores, ambientalistas, sindicatos e organizações patronais. O CES recorda que "os espaços florestais ocupam 67% do território nacional. O "setor representa 2% do PIB nacional e contribui com 2,6 mil milhões de euros para o saldo da balança comercial". No total, há "sete mil empresas responsáveis por 115 mil postos de trabalho diretos".

A reforma das florestas em curso passa pelo pacote de 12 leis apresentado pelo governo em outubro de 2016, que este mês deverá ter novidades em Conselho de Ministros. Deste seminário ficarão como contributo as comunicações dos intervenientes. "Tudo mudou na floresta ao longo dos últimos anos e não fomos capazes de nos adaptar. Hoje reconhecemos que a floresta é essencial para a regulação do clima, na retenção de água, no recreio e turismo", aponta Correia de Campos, lembrando que apenas 2% da floresta é pública em Portugal, enquanto a média da UE é de 40%.

Apesar da coincidência com a iniciativa do governo, o presidente do CES garante que foi coincidência. "Foi uma decisão completamente independente. No dia em que informei o ministro sobre o nosso seminário, ele disse-me que estava a preparar um pacote legislativo sobre as florestas", diz Correia de Campos. O CES pretende manter este tipo de discussões ativas na sociedade portuguesa, com temas como a sustentabilidade da Segurança Social, as políticas fiscais. "E queremos fazer qualquer coisa sobre a dívida. Queremos que em todos os temas a posição do CES seja relevante. É uma instituição apolítica e apartidária, em que os grandes debates nacionais se podem fazer", conclui o responsável.
O seminário terá conclusões sintetizadas por Francisco Castro Rego, professor no Instituto Superior de Agronomia, e João Ferreira do Amaral, professor catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão. O ministro da Agricultura, Capoulas dos Santos, encerrará o encontro.

Costa anuncia "reforma estrutural" da floresta



Foto: Miguel Pereira/Global Imagens


01 Março 2017 às 15:00


 
O primeiro-ministro anunciou, esta quarta-feira, que o Conselho de Ministros que se realizará no dia 21 de março vai aprovar o "pacote florestal", conjunto de diplomas que constituirá as bases de uma reforma estrutural na floresta portuguesa.

António Costa falava no encerramento da cerimónia que assinalou o "Dia da Proteção Civil", tendo ao seu lado a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, num discurso em que também criticou a ausência de medidas de fundo para a floresta portuguesa nos últimos dez anos.

"É a hora de fazermos agora na floresta uma reforma com a dimensão da reforma que há dez anos se fez na proteção civil. Foi concluída a discussão pública e no Conselho de Ministros do próximo dia 21 será aprovado o pacote florestal que permitirá lançar as bases para arrancar com a reforma da floresta", declarou o primeiro-ministro.

António Costa especificou depois que se tratará de uma reforma de "médio prazo", cujos efeitos não serão imediatos, e deixou críticas ao passado recente em matéria de política florestal.

"Infelizmente, estes últimos dez anos não foram devidamente aproveitados. Podemos até ter excelentes meios de combate aos incêndios florestais, mas, ou fazemos agora aquilo que não foi feito nos últimos dez anos ao nível da prevenção estrutural, ou os riscos serão sempre crescentes e os meios sempre crescentemente insuficientes", avisou.

Num discurso em que caracterizou Portugal como um país com "elevados níveis de segurança" - aspeto que disse beneficiá-lo mesmo do ponto de vista económico -, António Costa considerou depois a proteção civil "um pilar importante" em matéria de segurança.

Nesse sentido, o líder do executivo elogiou a ação que tem sido desenvolvida pela Força Especial de Bombeiros, destacando a missão internacional que recentemente desempenhou no Chile.

"A proteção civil tem uma fase mais visível, que é a do combate, sobretudo quando os incêndios florestais atingem o país. Mas os incêndios não são a única vulnerabilidade natural que afeta Portugal", advertiu, aludindo então aos riscos sísmicos e às alterações climáticas (com crescentes riscos de cheias).

Neste quadro, de acordo com o primeiro-ministro, Portugal tem de possuir uma nova estratégia de proteção civil e tem de apostar "na vertente da prevenção".

"Perante os riscos sísmicos, há que reforçar as condições estruturais dos diferentes espaços edificados. A reabilitação urbana é uma oportunidade única, não só para melhorar a eficiência energética, mas também para aumentar a resiliência estrutural do edificado", referiu.

Ainda segundo António Costa, é preciso evitar a existência de construções em zonas de riscos de cheias.

"Não podemos ser complacentes com a manutenção de construções em zonas de risco, porque colocam em perigo vidas humanas e com bens materiais", acrescentou.

Azeite vai ficar mais caro em Portugal


Produtores, comerciantes e o Governo admitem aumento dos preços do azeite este ano devido à queda da produção.  

Azeite vai ficar mais caro em Portugal

Miguel Baltazar

06 de março de 2017 às 12:44

A queda da produção de azeitona para azeite em 30% em 2016, para menos de 500 mil toneladas, deverá ser parcialmente compensada pela subida dos preços, o que é espectável que possa acontecer este ano, disse à Lusa o ministro da Agricultura.
 
"Infelizmente, o ano de 2016 foi, do ponto de vista climatérico, muito mau para a agricultura e provocou baixas de produção em vários sectores, designadamente no azeite", disse o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, acrescentando que "quando a produção cai os preços tendem a subir".
 
Logo, o prejuízo que decorre da redução das quantidades produzidas "é pelo menos parcialmente compensado pela subida dos preços. E é isso que esperamos que possa acontecer este ano", afirmou o governante.
 
O ministro explicou que a produção de azeitona se caracteriza tradicionalmente por anos de safra e contra safra (após um ano de elevada produção segue-se invariavelmente uma menor colheita), sendo esta a realidade com a qual os operadores e os agricultores estão habituados a lidar.
 
Segundo Capoulas Santos, normalmente os anos de menores produções caracterizam-se por melhor qualidade, apesar de actualmente os parâmetros médios de qualidade do azeite português serem "muito bons", dado existirem tecnologias que permitem manter graus razoáveis de qualidade.
 
Questionado sobre a influência da queda da produção da azeitona nas exportações de azeite, o ministro disse que as grandes empresas exportadoras têm 'stocks' e que acredita que "não haverá problemas no abastecimento dos mercados tradicionais portugueses".
 
De acordo com as últimas previsões agrícolas divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a produção de azeitona para azeite deverá ter caído 30% no ano passado para menos de 500 mil toneladas.
 
Isto deveu-se, segundo o INE "às condições climatéricas adversas e à alternância anual de produção dos olivais tradicionais", pelo que se antevê uma campanha na ordem das 491 mil toneladas, isto é, menos 30% que em 2015, ressalvando, no entanto, que o azeite é "de boa qualidade".
Produtores do Alentejo admitem subida do preço
 
O aumento do preço também é admitido por produtores do Alentejo, região com mais olival e que produz "70 a 80%" do azeite nacional.
 
A Cooperativa de Olivicultores de Borba, com cerca de 600 associados e uma das principais do Alentejo, assume a diminuição da produção de azeitona para azeite na campanha de 2016/2017, que se vai reflectir no preço do azeite.
 
"A quebra na produção de azeitona provoca o aumento do preço do azeite", disse à agência Lusa Paulo Velhinho, director executivo da cooperativa.
 
A produção de azeitona no seio desta organização registou, nesta campanha, revelou, "uma quebra de cerca de 40% em relação a anos normais", enquanto face a 2015 a descida "foi de 10%".
 
E, como a azeitona foi paga a um preço "mais elevado", "os sócios da cooperativa apanharam mais azeitona e não a deixaram nas oliveiras", acrescentou.
 
"O preço da azeitona na campanha de 2015 foi, em média, entre 36 e 38 cêntimos por quilo", enquanto, na última campanha, "a média foi de 48 cêntimos por quilo, embora tenha havido azeitona galega que chegou a render 55 cêntimos por quilo", disse.
 
Henrique Herculano, do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo (CEPAAL), entidade que visa "dinamizar e potenciar o sector do azeite", disse à Lusa que a quebra "é reflexo do que aconteceu no Alentejo".
 
Isto porque, frisou, trata-se da região portuguesa "com mais olival plantado". Possui quase 170 mil dos 315.340 hectares do país, segundo dados de 2015 do INE.
 
"E grande parte deste olival é moderna, portanto, com produtividades muito elevadas", o que faz com que a região, que deve ser responsável por "70 a 80% do azeite produzido em Portugal" nesta campanha, seja "incontornável" no sector, sublinhou.
 
Mas a produção desta campanha, precisou, foi prejudicada pelas "chuvas de maio, que afectaram a floração das árvores" e pelos "calores tardios, sobretudo em Setembro, que diminuíram o rendimento da azeitona".
 
Do grupo Sovena, detentor de marcas como a Oliveira da Serra e com 10 mil hectares plantados de olival, a maioria no Alentejo, também chega o alerta de que este ano "há menos oferta" de azeite "do que o normal", em Portugal e em diversos outros países, pelo que "os preços vão subir".
 
"Há uma conjuntura internacional que faz com que haja menos oferta do que a procura", disse à Lusa o director de Marketing e Vendas da Sovena, Otto Teixeira da Cruz, aludindo a quebras na produção em Portugal, Tunísia e, "principalmente em Itália", onde "foi muito baixa", salvando-se apenas Espanha, responsável por 50% do azeite comercializado no mundo.
 
E, continuou, como os italianos tiveram essa produção baixa, "têm que ir à procura de azeite e quem tem para lhe vender são os outros países, principalmente Espanha, mas também Portugal, que produz mais cedo", provocando "uma inflação dos preços".
 
"Vai ser um ano complicado, mas, se o consumo começar a crescer, depois, terão de ser ajustados também os preços da oferta", afirmou Otto Teixeira da Cruz.
 
Henrique Herculano perspectiva igualmente o aumento do preço do azeite, mas acredita que não deverá ser "muito significativo".
 
"Poderá "não ter grande expressão" porque o azeite, "nos últimos anos, já tem tido valores bastante elevados", previu. A "esmagadora maioria do azeite" que o consumidor está a comprar agora, indicou, "ainda não deve ser desta campanha", mas "lá para Maio ou Junho já é capaz de haver uma subida do preço, a não ser que haja a importação de azeites do norte de África".
 
Na região de Portalegre, António Melara Nunes, que produz o azeite Castelo de Marvão confirma "quebras significativas" na produção de azeitona, devido ao tempo seco em 2016.
 
O aumento de preços na venda de azeite a granel já se sente, de acordo com o empresário, que argumentou, contudo, que este cenário pode ser "uma boa oportunidade" para os pequenos produtores.
 
A subida de preços, afirmou, permite ao consumidor, actualmente, comprar azeite intensivo ou de produtor ao mesmo preço, pelo que os pequenos produtores podem "vingar" num mercado "altamente monopolizado".
 
Jerónimo Martins diz que consumidores vão procurar alternativas
 
Também a Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce, considera que a quebra da produção de azeitona vai encarecer o azeite e levará os consumidores a procurar alternativas, enquanto o Lidl não espera oscilações nos preços.
 
Questionado pela Lusa sobre o impacto da quebra de produção, o presidente da Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos afirmou: "Vai ter um efeito no preço, o preço vai subir".
 
Com isso, "automaticamente para um bocado o consumo do azeite e o consumidor vai procurar outras gorduras", que podem passar por óleos vegetais, margarinas ou manteigas, acrescentou o presidente da dona da cadeia de supermercados Pingo Doce.
 
"Acho que não é nada de preocupante, não vai haver falta de nada", acrescentou Pedro Soares dos Santos.
 
Por sua vez, fonte oficial do Lidl Portugal refere que, "tendo em atenção os 'stocks' de azeite existentes no final de 2016, e apesar de alguma quebra na produção verificada na campanha do ano anterior, não são esperadas grandes oscilações nos preços de azeite para o corrente ano".
 
Já a cadeia de hipermercados Continente, do grupo Sonae, afirma que "está a par das previsões anunciadas para a produção da azeitona para azeite e reconhece as respectivas consequências para os consumidores".
 
No entanto, "não sendo o Continente um produtor e/ou transformador de azeitona, tais questões deverão ser remetidas para os organismos que regem essa actividade como, por exemplo, a Casa do Azeite", concluiu fonte da cadeia de hipermercados.
 
A Lusa contactou o grupo Auchan (hipermercados Jumbo) e o grupo Os Mosqueteiros, mas não obteve resposta.

Ministro da Agricultura anuncia 1,2 mil milhões de euros para apoiar projetos



Capoulas Santos considera que Prémio eleva autoestima dos agricultores. 

Por Duarte Faria

O júri e os vencedores das várias categorias do Prémio Nacional da Agricultura no fim da cerimónia, que se realizou ontem no Hotel Ritz, em Lisboa 

Ministro da Agricultura anuncia 1,2 mil milhões de euros para apoiar projetos Capoulas Santos considera que Prémio eleva autoestima dos agricultores. O ministro da Agricultura revelou esta quinta-feira que o Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) está em "velocidade cruzeiro" e que já foram contratados 10 400 projetos (dos 32 mil propostos), a que correspondem 1250 milhões de euros de investimento e uma despesa pública de 750 milhões. 

O anúncio foi feito durante a cerimónia de entrega de prémios da 5ª edição do Prémio Nacional da Agricultura, iniciativa promovida pelo Correio da Manhã, Jornal de Negócios e BPI. No salão nobre do Hotel Ritz, Lisboa, foram distinguidos 22 casos de sucesso dos setores da agricultura e agroindústria, florestas e pecuária nacionais. 

Capoulas Santos associou-se à iniciativa por "dar um enorme contributo para elevar ainda mais a autoestima da nossa agricultura e dos nossos agricultores". Paulo Fernandes, presidente do grupo Cofina, que detém o CM, referiu que a iniciativa é "uma aposta ganha", que "reflete, ano após ano, o sucesso de um setor que é cada vez mais determinante para a economia do País".

Agricultura do Alqueva irá ter água mais barata



Anúncio da redução do preço aos agricultores será feito hoje pelo ministro

O preço da água do regadio do Alqueva vai baixar. O anúncio será feito hoje pelo ministro da Agricultura Capoulas Santos, durante a reunião do Conselho de Acompanhamento do Regadio (CAR) do Alqueva, e corresponde a uma reivindicação dos agricultores, mais acentuada numa campanha agrícola, como a atual, marcada pela seca. Os preços da água baixam entre 20 a 33%, consoante as características do fornecimento, sendo revogada a norma legal que definia o valor até agora.
Na última reunião do CAR, em julho, o governante tinha prometido que o preço da água iria reduzir, embora sem adiantar valores. Agora, segundo o gabinete do ministro da Agricultura confirmou ao DN, a decisão está tomada e os preços fixados serão hoje comunicados. Assim, para beneficiários diretos, aqueles que dependem da infraestrutura principal do Alqueva, o preço do fornecimento em alta pressão será de 0,0590 por metro cúbico, uma redução de 20% em relação ao preço anterior que vigorava desde 2010 e que se cifrava em 0,0736/m3. No caso da baixa pressão, o preço por metro cúbico passa a ser de 0,032, menos 33% do que estava fixado, 0,0475/m3. No que toca aos perímetros de rega confinantes o novo preço é 0,030 por metro cúbico, o que significa uma redução de 33%. Nestes casos, os agricultores beneficiam ainda de um desconto nos primeiros três anos após o primeiro fornecimento de água à respetiva área regada. No primeiro ano, o desconto será de 60%, no segundo 40% e no terceiro 20%.

Um dos objetivos com esta medida é "aumentar o rendimento dos agricultores reduzindo os custos de um dos mais importantes fatores de produção, a água", referiu fonte do gabinete do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Regional.

No CAR do Alqueva participam diversas organizações agrícolas. Uma dessa associações, a Federação Nacional de Regantes de Portugal (FENAREG), através do seu presidente José Núncio, mostrou-se satisfeita, em julho passado, com a garantia dada pelo ministro de que o preço da água do Alqueva para regadio iria baixar em 2017.

O Ministério está convencido que esta redução das tarifas de água irá "criar melhores condições de competitividade para as culturas de regadio no Alqueva, dando continuidade à trajetória ascendente das exportações, procurando reduzir importações".

O Alqueva ainda deverá vir a beneficiar num futuro próximo de um projeto de ampliação no âmbito de um financiamento do Banco Europeu de Investimento, ao abrigo do plano Juncker, para melhor o Plano Nacional de Regadio. A candidatura portuguesa foi aceite e está atualmente na fase de discussão técnica dos projetos apresentados.

Maior coleção de árvores de fruto está no Algarve

21 DE FEVEREIRO DE 2017 - 06:27

No Centro de Experimentação Agrária de Tavira há 120 variedades de amendoeiras, 280 castas de videiras e 227 variedades de citrinos, entre muitas outras coleções únicas.

Foto: Maria Augusta Casaca/TSF
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Quatro anos de Papa Francisco

Engenheiros agrónomos da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve (DRAPALG) têm feito uma recolha por toda a região, plantado e estudado as árvores que constituem o património genético das fruteiras mediterrânicas.

A jornalista Maria Augusta Casaca foi conhecer a maior coleção de árvores de fruto do país
O engenheiro agrónomo João Costa lembra que tudo começou com uma recolha feita por todo o Algarve. "Havia muitas variedades espalhadas e com o abandono da agricultura estavam em risco de extinção". Depois, foi plantar e fazer vingar todas aquelas árvores.

Há coleções únicas. Só de figueiras existem 97 espécies diferentes, 22 nespereiras, 44 alfarrobeiras, 78 romãzeiras e 280 castas de videiras. Nos serviços centrais da DRAPALG está também situado o maior banco de citrinos do país, com 227 variedades.

Segundo António Marreiros, outro engenheiro agrónomo que trabalha no projeto, a ideia é não perder todo o património genético de árvores tão importantes para dieta mediterrânica. A intenção dos técnicos é que os agricultores comecem a aproveitar os estudos que ali se fazem para melhorar a sua produção.

E João Costa revela que em breve querem começar visitas guiadas para que os agricultores possam ver in loco o que se faz. "Temos 97 espécies diferentes de figos, por isso é os agricultores passarem por aqui e provarem as diversas variedades para sentirem aromas e sabores completamente diferentes".

Para que este projeto tenha continuidade, a DRAPALG vai candidatá-lo a fundos comunitários. O engenheiro agrónomo salienta que é também preciso mais gente "Somos só 4 a 5 pessoas a trabalhar no projeto, algumas estão à beira da reforma e isto tem que ter continuidade", adverte.

Tudo para que não se perca um património único da agricultura do país.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Agricultura: Guiné Equatorial ‘abre a porta’ a investimento português


 24 Fev 2017

Embaixador da Guiné Equatorial salientou a "grande experiência" portuguesa na agricultura. "Abrimos a porta à população portuguesa para poder contribuir e participar", acrescentou.

Guiné Equatorial
A Guiné Equatorial quer atrair portugueses para investirem na agricultura do país, no âmbito da estratégia do governo da Guiné Equatorial de diversificar a economia, fortemente dependente do petróleo.

"A agricultura é um setor prioritário para a diversificação económica da Guiné Equatorial", disse o embaixador da Guiné Equatorial em Lisboa, Tito Mba Ada, citado pela Lusa, após reunião com o ministro da Agricultura Luís Capoulas Santos.

O embaixador da Guiné Equatorial salientou a "grande experiência" portuguesa na agricultura. "Abrimos a porta à população portuguesa para poder contribuir e participar", acrescentou.

"Temos ananás muito bom, temos plantas tropicais que têm fins medicinais". frisou ainda Tito Mba Ada.

A Guiné Equatorial faz parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), desde 2014.

Já se trabalha a todo o vapor para os primeiros Vinhos de Lisboa



Expectativa dos produtores é que se possam produzir até 20 mil garrafas de vinho, quando a exploração estivera funcionar em pleno

A colina virada para o aeroporto é fortemente fustigada pelo vento - "acho que nunca aqui estive sem vento", há de dizer o engenheiro agrónomo Sérgio Neto -, mas os pés de videira que ocupam os dois hectares à nossa frente, virados para o centro da cidade nem se mexem. Também porque parte do trabalho que está a ser desenvolvido neste momento na plantação que vai produzir os Vinhos de Lisboa consiste em atar a vide ao arame para "formar a vinha em cordão unilateral", explica o engenheiro que está a supervisionar o trabalho de sete homens.

Será um trabalho para dois dias, mas depois seguem-se ainda muitas etapas até se poderem colher as uvas e produzir vinho. O que vai acontecer pela primeira vez este ano. A vinha junto ao aeroporto começou a ser plantada em 2015, e no ano passado foram colhidas "16 caixas de 30 quilos" de uva.

Este ano, se tudo correr bem, a produção já será poderá chegar às "seis ou sete toneladas por hectare", antecipa Sérgio Neto. No entanto, "quando se atingir a "velocidade cruzeiro" esperamos vindimar cerca de 15 a 18 toneladas de uvas por época, o que acabaria por dar cerca de 15 000 a 20 000 garrafas produzidas", explica José Luís Silva, administrador da Casa Santos Lima, produtor que explora a vinha de Marvila.

Nesta terra de "argila e calcário" nascem uvas das castas "Arinto, Tinta Roriz e Touriga Nacional", que são tipicamente nacionais. Como vizinhas têm as hortas urbanas, a Segunda Circular e o Aeroporto. Os responsáveis por manter a vinha acreditam que a sua localização só pode fazer bem à cidade, tornando-se em mais um espaço verde.

A poluição não será um problema para a qualidade dos vinhos. "Esta é uma questão que não nos preocupa pois o trabalho e cuidado que temos com as vinhas é muito elevado. Toda a manutenção que fazemos ao longo do ano garantem às vinhas e uvas condições elevadas de saúde fitossanitária", assegura José Luís Silva.

Além disso, os solos têm "excelentes características para produzir bom vinho pois proporcionam boa retenção de água e drenagem e garantem mineralidade, aromas e equilíbrio aos vinhos". Devido também à sua dimensão, esta será vindimada à mão, "o que é melhor para a qualidade da uva", argumenta o engenheiro agrónomo.

Para chegar a uma boa produção de vinho, há ainda uma série de trabalhos a desenvolver. Depois desta fase de atar a vide, uma máquina irá retirar as pedras que ainda se encontram no meio do terreno. "O solo era pedra e restos de obras", justifica Sérgio Neto.

Segue-se "a poda em verde, a orientação da sebe par ficar na vertical e o controlo das pragas e doenças". Uma série de "trabalhos pontuais" que se vão realizar "até à vindima". Quando esta chegar as uvas serão transportadas para Merceana (Torres Vedras) onde está localizada a adega da Casa Santos Lima.

Até que chegue setembro, o agrónomo teme que os pássaros locais - papagaios, mas sobretudo os melros, estorninhos e tordos "que gostam muito de fruta" - sejam os principais inimigos de uma colheita em pleno.

O espaço de dois hectares que ocupa esta colina às portas de Lisboa pretende também ser um palco pedagógico para o mundo da viticultura. Foi assim pensada também pela Câmara Municipal de Lisboa (CML).

Projeto pedagógico

A marca Vinhos de Lisboa nasceu após um contrato entre a Casa Santos Lima - um dos maiores produtores de vinho da região - que arrendou os terrenos à autarquia para criar o Parque Vinícola de Lisboa. A quinta está pronta para receber visitas de escolas e outros grupos que queiram aprender o ciclo de vida das uvas. "Neste momento o parque já está em condições de ser visitado e tem recebido e acedido a várias visitas de escolas, instituições e pessoas interessadas", refere José Luís Silva.

No interior da vinha existe uma pequena casa onde estão expostos painéis informativos com "o ciclo vegetativo da vinha, castas plantadas no parque, principais castas da Região de Lisboa".

A casa Santos Lima investiu cerca de 100 mil euros na implementação desta vinha. A vinha na colina junto à Rotunda do Relógio é a segunda desta dimensão na capital. A outra é um espaço na Tapada da Ajuda que pertence ao Instituto Superior de Agronomia, também explorada pela Santos Lima.

Lisboa é a única capital europeia com uma vinha no seu perímetro urbano e com uma região vinícola a menos de meia hora de distância. Com estes espaços, pretende-se não só a exploração do vinho, mas também manter projetos pedagógicos e que estes promovam também a ligação que o país tem com a produção vinícola.

De cidade das vinhas a terra sem videiras

Em pleno século XIX, as vinhas de Lisboa eram de reconhecida qualidade. Belém, Benfica, Luz, Carnide, Lumiar, Odivelas e Poço do Bispo aparecem em relatórios de 1867 e 1868, como zonas vinícolas de excelência, explica o jornalista e especialista em vinhos João Paulo Martins. Lisboa era, nesta época, mais agrícola e os seus vinhos tinham fama de serem bons. Tudo mudou com a crescente urbanização e a chegada das cooperativas. "Na década de 1940, a região de Lisboa, era a principal produtora de vinhos, tinha mais de 20 adegas cooperativas. Mas como era pago pela quantidade, as pessoas começaram a plantar castas mais produtivas mas de menor interesse enológico e perdeu-se aí a tradição da vinha", refere João Paulo Martins.

Os solos e o clima fazem com que a região tenham "condições excelentes" para a produção de vinho. E assim foi durante séculos, com algumas castas que ainda hoje dão cartas como a Boal ou Trincadeira, aponta o especialista em vinhos.

Em finais do século XIX, as zonas de Carcavelos, Colares e Bucelas integram um triângulo de luxo na produção de vinho, conhecido então como de Lisboa. O de Carcavelos, um vinho licoroso, "tipo Vinho do Porto", sobreviveu apenas porque "esteve a ser produzido numa quinta que pertence ao Estado, a Quinta do Marquês", explica.

Num século, a capital perdeu as suas vinhas e João Paulo Martins não tem dúvidas que se "os vinhos fossem extraordinários não acabavam". Agora existem apenas duas montras para esta produção na cidade: a vinha do Instituto Superior de Agronomia e a de Lisboa, junto ao aeroporto (ver página anterior), que "servirão sempre como projetos pedagógicos e não para produção a sério", reconhece o jornalista.

Embora, considere que não tinha que ser assim. "Não tem que ser uma inevitabilidade. Há outras cidades, como uma próxima de Bordéus que tem uma vinha de 80 hectares dentro da cidade."

Ainda assim estes dois projetos e a reabilitação de vinhos como o de Carcavelos mostram uma nova aposta na qualidade da produção vinícola feita na região. Uma aposta que passou também pela alteração, feita em 2009, de Vinho Regional Estremadura, para Região de Vinhos de Lisboa.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Governo apresenta em março Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica

20/2/2017, 7:441.586

A promoção da "qualidade alimentar através do aumento da produção em modo biológico" é o objetivo do Governo com a Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica, cuja apresentação decorre em março.

Neste contexto, foi criado em meados de 2016 um grupo de trabalho responsável por elaborar a Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica e pôr em execução um plano de ação para a produção e promoção de produtos biológicos

A promoção da "qualidade alimentar através do aumento da produção em modo biológico" é o objetivo do Governo com a Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica, cuja apresentação, inicialmente prevista para outubro passado, deverá acontecer em março. "A definição de uma estratégia política nacional para a agricultura e produção biológica, com o objetivo de apoiar um crescimento sustentável deste modo de produção através de medidas e ações adequadas às exigências da oferta e da procura atuais, é uma aspiração dos operadores que se dedicam a esta atividade e constitui um objetivo do Governo e do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, convergindo para objetivos da estratégia Europa 2020 e da Política Agrícola Comum (PAC), no âmbito da política de qualidade dos produtos agrícolas e géneros alimentícios", sustenta a tutela.

Neste contexto, foi criado em meados de 2016 um grupo de trabalho responsável por elaborar a Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica e pôr em execução um plano de ação para a produção e promoção de produtos biológicos, tendo decorrido de 2 a 30 de setembro passado uma consulta pública para ampliar a discussão sobre o assunto.

Apesar do Governo se ter inicialmente proposto a apresentar a estratégia nacional para o setor até 31 de outubro do ano passado, tal acabou por não se verificar e, em janeiro, questionado a este propósito no parlamento pelo deputado do PAN André Silva, o primeiro-ministro, António Costa, disse que o plano "está concluído" e em fase "de avaliação da sua exequibilidade", prevendo-se que seja apresentado publicamente em março.

Para o presidente da Associação Portuguesa de Agricultura Biológica (Agrobio), esta deve ser antes de mais uma oportunidade para se fazer o "essencial levantamento de dados" sobre o setor em Portugal: "Há dados sobre a superfície agrícola e o número de produtores, mas para quem queira instalar-se como agricultor biológico é importante ter dados relativos ao valor da produção, ao comércio, a como é que está o mercado ou a quais são os produtos a apostar".

Afirmando serem cinco as "vertentes essenciais para o desenvolvimento da agricultura biológica" – políticas públicas, produção, comercialização, desenvolvimento técnico-científico e sensibilização/divulgação -, Jaime Ferreira considera que a atribuição no Orçamento do Estado para 2017 de um benefício fiscal nos gastos com certificação de produções biológicas foi "um bom sinal", assim como a determinação da existência em cada direção regional de agricultura do país de dois técnicos com formação específica em agricultura biológica. "Mas é preciso fazer muito mais", sustenta. "Quando sair a estratégia nacional e, sobretudo, o plano com ações concretas a desenvolver nos próximos cinco anos, com algum investimento associado a essas medidas, penso que está dado um passo muito importante. Indicativo, mas muito importante para as instituições", considerou.

É que, diz, embora seja "muito relevante" que "pela primeira vez um Governo português tenha colocado no seu programa a criação de um plano de ação e de uma estratégia" para o setor, falta "ver essa prioridade operacionalizada" no terreno através de uma estratégia concreta.

A este propósito, Jaime Ferreira considera importante que se aproveite para tornar "o sistema mais transparente para o consumidor", disponibilizando informação adicional sobre a certificação e os intervenientes no setor, por exemplo, criando "uma espécie de cadastro" no site do ministério [da Agricultura] com as empresas que estão a produzir produtos biológicos e referência a eventuais problemas detetados na sua atividade. Paralelamente, a Agrobio defende inclusão no plano nacional para o setor de "apoios diretos para a agricultura biológica, nomeadamente ao nível da conversão, que é o período mais difícil para quem se quer instalar em agricultura biológica, devido à necessidade de fazer face à adaptação e à mudança".

Globalmente, o presidente da associação afirma-se "otimista" com a evolução futura da agricultura biológica, que diz ser "o único setor agrícola onde se sente que há margem para crescer e onde todos os dias há contactos" de interessados em se lançar na atividade, na sua maioria jovens agricultores, mais conscientes dos desafios e exigências acrescidos deste tipo de agricultura.

CTT homenageiam frutas portuguesas com emissão filatélica

Os CTT apresentam hoje a segunda série de selos da emissão "Frutas de Portugal", dando destaque a seis frutas provenientes de diversas zonas do País. Algarve, Douro, Alcobaça, Oeste, Açores e Madeira são as regiões cujas variedades únicas no mundo de algumas frutas foram destacadas pelos CTT.
 
Esta é a segunda vez que os CTT dedicam uma emissão filatélica às variedades específicas que enriquecem o património português, traçando um roteiro geográfico por Portugal, do Litoral ao Interior. A amêndoa do Douro, a maçã de Alcobaça, as uvas de mesa D. Maria típicas do Oeste e do Alentejo, o figo algarvio, a anona madeirense e o maracujá açoriano são as frutas escolhidas este ano. Esta iniciativa dos CTT conta com a parceria da Terra Projectos.
 
É muito rica a herança portuguesa neste domínio, que se estende à generalidade dos produtos da terra. Este tipo de singularidade é frequentemente fruto de gerações de cultivo, sendo que a maior parte das frutas assume o nome da região ou localidade onde vingou, assumindo por vezes o nome de pessoas. Não é possível separar a história destas frutas da história do próprio País.
 
Em 2016, as frutas homenageadas foram a castanha de Trás-os-Montes, a cereja da Cova da Beira, a pêra rocha do Oeste, os citrinos do Algarve, a banana da Madeira e o ananás dos Açores.
 
Esta emissão filatélica é composta por seis selos: dois selos (figo e uva) com uma tiragem de 125 000 exemplares cada e um valor facial de 0,47€ cada; dois selos (amêndoa e maça) com um valor facial cada de 0,58€ e uma tiragem de 110 000 exemplares cada um; um selo do maracujá dos Açores com uma tiragem de 135 000 exemplares e um valor facial de 0,75€ e um selo com a anona da Madeira com uma tiragem de 115 000 exemplares e um valor facial de 0,80€. O design esteve a cargo de Natali Nascimento (TerraProjectos) e os selos têm um formato de 40 X 30,6 mm. As obliterações de primeiro dia serão feitas nas lojas dos Restauradores em Lisboa, Munícipio no Porto, Zarco  no Funchal e Antero de Quental  em Ponta Delgada.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O Daesh destruiu a agricultura do Iraque e deixou os campos minados

À medida que vai perdendo terreno, o Daesh deixa no Iraque uma agricultura devastada, como é o caso da província de Ninive, conhecida como o celeiro do país. 

O exército expulsou os jihadistas da parte oriental de Mossul, capital da província e das aldeias à volta como Qaraqosh, Baashiqah e Omar Qapchi.

Mas o terror e a má gestão do Daesh destruiram os agricultores como Sami Yuhana, que vendia 100 toneladas de trigo por ano até ao momento em que os combatentes lhe encostaram uma pistola à cabeça e lhe confisacaram as terras da aldeia cristã de Qaraqosh. 
"Como é que vou ser capaz de reconstruir isto outra vez?A nossa esperança é que as organizações internacionais nos ajudem, porque do governo não temos qualquer esperança. Se me quiserem dar alguma compensação vão ter que compensar muita gente, de Bassorá a Duhok", afirma.

Só a província de Ninive produzia 1,5 milhões de toneladas de trigo por ano – cerca de 21% da produção total do Iraque. Com o Daesh a produção caiu para 300 mil toneladas.

Estima-se que cerca de 70% dos agricultores fugiram com a chegada do Daesh à região e os que ficaram foram obrigados a pagar taxas enormes, como Abdel Salam Younis, agricultor de Omar Qapchi: 
''Tinham aqui uns escritórios onde íamos pagar o zakat (o imposto islâmico), não podíamos escapar. Se não pagássemos iam atrás de nós faziam-nos pagar uma multa e depois prendiam-nos", conta.

Mas o Estado Islâmico (Daesh) não conseguiu gerir a agricultura: pagava uma tonelada de trigo a 188 euros aos agricultores, enquanto o governo a pagava a 565 euros. Para além disso, os combatentes confiscaram 1,1 milhões de toneladas de trigo dos silos do governo e venderam 40% das máquinas agrícolas para se financiarem.

Mas aos estragos nas instalações agrícolas, como os canais de irrigação, junta-se um outro problema mais preocupante, como explica o presidente da associação dos agricultores de Baashiqah., Aref Hassan: "Esperamos que as organizações internacionais e os organismos de desminagem limpem os terrenos agrícolas de todos os explosivos e minas. Esta área estava na primeira linha da batalha contra o Daesh e está pejada de minas. Os agricultores não podem voltar às suas terras".

Uma situação que promete durar numa altura em que, segundo a FAO, 2,4 milhões de iraquianos não têm acesso a alimentação suficiente.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Preço do azeite pago ao produtor dispara 70% em Itália


No mercado italiano, onde se praticam os preços mais elevados por cada quilo de azeite extra virgem pago à produção, a subida de preços acelerou em Novembro. Espanha, Grécia e Tunísia acompanham.

Isabel  Aveiro Isabel Aveiro ia@negocios.pt
10 de fevereiro de 2017 às 16:58

O valor do preço pago ao produtor por cada quilo de azeite virgem extra em Itália chegou ao final de Janeiro de 2017 mais caro em 70% do que um ano antes. As contas são do Conselho Oleícola Internacional (COI), do qual Portugal é membro. Foram divulgadas esta semana, com base nos movimentos semanais de preços em Jaén (Espanha), Bari (Itália), Chania (Grécia) e Sfax (Tunísia).

"Os preços no produtor em Itália começaram a aumentar em meados de Agosto [de 2016], acelerando na primeira semana de Novembro, quando ultrapassaram a barreira de cinco euros por quilo, e chegando a 5,9 euros por quilo no final de Janeiro de 2017, para um aumento anual de 70%", diz a última análise estatística do Comité.

Os preços pagos aos produtores, por azeite virgem extra, em Espanha – o maior produtor e consumidor da União Europeia – atingiram "3,64 euros por quilo no final de Janeiro de 2017, o que representa um aumento de 10% comparando com o mesmo período do ano anterior".

O COI salienta contudo que, ainda em Espanha, "se comparado este preço com o preço mais elevado [atingido no passado], na terceira semana de Agosto de 2015 (de 4,23 euros por quilo), representa um decréscimo de 14%".

Na Grécia, os preços mantiveram-se estáveis, de meados de Agosto até ao final de Outubro de 2016. Mas, salienta o organismo especializado, "como noutros mercados, [os preços] aumentaram no final de Janeiro de 2017 para atingir 3,46 euros por quilo no final de Janeiro de 2017, o que é um crescimento de 17% comparado com o mesmo período do ano anterior".

Em África, o quarto maior produtor, a Tunísia, também viu os preços aumentarem, depois de algumas semanas de estabilidade relativa. O aumento foi claro, diz o COI, a partir da terceira semana de Janeiro, atingindo 3,88 euros por quilo no final de 2017, para uma progressão de 18% numa base anual".

A Bloomberg recordava esta quinta-feira que o tempo "errático" sofrido em Espanha e Itália, os dois maiores produtores mundiais de azeite, poderá fazer voltar a recuar a produção na campanha de 2016/2017. Só a Itália prevê que a queda possa ascender a cerca de 50% da média anual.

No azeite refinado, os preços pagos ao produtor seguiram a mesma tendência: subiram 15% em Itália (3,62 euros/kg); e 11% em Espanha, para 3,54 euros/quilo – o que aliás coloca uma questão adicional, porque significa que azeite virgem extra e azeite refinado estavam, no final de 2017, com uma diferença de 0,10 euros por quilo no mercado espanhol, no produtor. 

Em Itália, a diferença estava, no final do mês passado, em 2,28 euros/quilo entre extra virgem e refinado.

Consumo duplica na China

Enquanto a oferta nos principais produtores do mundo de azeite sofre com as alterações climáticas – como aliás, o COI já tinha alertado em Novembro passado, em Lisboa – a procura não pára de aumentar nos não produtores, segundo o COI.

Com dados relativos a azeite e óleo de bagaço de azeitona, a China começou o ano da campanha oleícola (que compreende os 12 meses entre 1 de Setembro e 31 de Agosto do ano seguinte) a quase duplicar as suas compras ao resto do mundo.

Mostram os dados do COI que nos meses de Outubro e Novembro de 2016, a China importou 8.375 toneladas, um crescimento de 98,6% de azeite e óleo de bagaço de azeitona.

Os EUA aumentaram as compras em 5% no mesmo período, para 29.150 toneladas. No outro lado do Pacífico, o Japão importou mais 17%, para 5.987 toneladas de azeite e óleo de bagaço de oliveira (sub-produto extraído do bagaço da azeitona, que não pode ser vendido como azeite).

O Brasil – fundamental para os produtores de azeite portugueses – comprou mais 16% do que em Outubro e Novembro de 2015 (para 6.844 toneladas). Na Rússia, adianta o COI, as vendas tinha aumentado 20% até Outubro de 2016 (para 2.085 toneladas).


Portugal deve completar Natura 2000 e poupar água na agricultura


6/2/2017, 15:40

Portugal deve completar o processo da Natura 2000, em terra e no mar, definir "claramente" objetivos de conservação, disponibilizando as medidas e recursos necessários.

Portugal deve completar o processo da Natura 2000, em terra e no mar, definir "claramente" objetivos de conservação, disponibilizando as medidas e recursos necessários, e aproveitar o "significativo potencial de poupança" de água na agricultura.

O país "tem de concluir o processo de designação Natura 2000, em terra e no mar, e pôr em prática objetivos de conservação claros", com as medidas necessárias, e "disponibilizar recursos adequados para a sua aplicação", salienta a análise do cumprimento da política e regras ambientais europeias, por cada Estado membro, divulgada esta segunda-feira pela Comissão Europeia (CE).

Portugal também é aconselhado a "fortalecer o desenvolvimento de capacidades para melhorar a gestão dos sítios Natura 2000 e os regimes de proteção das espécies", garantindo a sua integração em outras políticas, da agricultura, silvicultura, pescas, energia, clima, ao ordenamento do território e do espaço marinho, com os respetivos fundos. Para os especialistas da CE, é essencial continuar abordagens de execução "inteligentes e racionalizadas", em especial nos licenciamentos de sítios e espécies, "assegurando o conhecimento e a disponibilidade de dados".

Na água, em Portugal, cerca de 80% do total do consumo é utilizado na agricultura e pecuária e, embora a quantidade tenha sido reduzida nos últimos anos, "há ainda um significativo potencial de poupança de água, relacionado com uma melhor política de fixação do preço", defende a CE. Apesar da melhoria ao longo dos anos, com o papel "fundamental" do financiamento comunitário, o relatório refere que "a aplicação incompleta da diretiva levou a várias decisões do Tribunal de Justiça da União Europeia contra Portugal, incluindo sanções financeiras", sendo, por isso, necessários "esforços suplementares".

Os planos de gestão das bacias hidrográficas (PGBH) portugueses, um requisito da Diretiva-Quadro Água, "apresentam deficiências que resultam em incertezas quanto ao estado e à eficácia dos programas de medidas", salienta a CE, exemplificando com os problemas na monitorização, nas metodologias para a avaliação do estado e na ligação entre as pressões e as soluções definidas.

A CE considera que "seria altamente aconselhável desenvolver uma abordagem de infraestrutura verde aos níveis nacional, regional e local", incluindo nas zonas urbanas, coordenada com avaliações dos ecossistemas e dos serviços prestados pela natureza, e pela sua restauração, a partir dos elementos disponíveis, como a Rede Ecológica Nacional (REN) ou os planos de ordenamento do território.

Na área da proteção do meio marinho, a sugestão é prosseguir o trabalho para melhorar o bom estado ambiental, colmatar as lacunas de conhecimentos ou apostar na coerência dos métodos de vigilância da região marinha. Em 2016, 20,6% da área terrestre de Portugal estava coberta pela rede Natura 2000, acima da média de 18,1% na UE.