terça-feira, 17 de janeiro de 2017

McDonald’s quer comprar mais hortícolas aos produtores portugueses

Jan 11, 2017

Tomate, cebola e alface iceberg são os hortícolas que a McDonald's Portugal quer comprar aos produtores nacionais.  A cadeia de restauração já tem alguns fornecedores portugueses para estes produtos mas quer reduzir ainda mais as importações. Actualmente, cerca de 42% dos alimentos utilizados pela marca em Portugal são comprados a fornecedores nacionais.

Durante uma sessão de apresentação do Guia Prático do Empreendedor Agrícola, na Escola Superior Agrária de Santarém, André Santos, gestor de qualidade da McDonald's, explicou que, para fornecer a cadeia de restauração, os produtores devem ter um determinado perfil: ser certificados em Global GAP, McDonald's Agriculture Assurance Programme e Food Safety Standard; não utilizar organismos geneticamente modificados; cumprir a legislação comunitária  e local; não utilizar Bisfenol A; utilizar óleo de palma de fonte sustentável e proveniente de fornecedores da McDonald's; não recorrer à nanotecnologia na preparação dos produtos.

Quando questionado sobre a necessidade de batata nacional, André Santos explicou que a marca utiliza duas variedades (a Russet Burbank e a Shepody) importadas de França e «de difícil produção em Portugal». No que diz respeito às sopas, «existe capacidade» para comprar mais a fornecedores nacionais.

A Campotec, organização de produtores que fornece a McDonald's desde 2004, foi convidada a falar da sua experiência. Délio Raimundo, do departamento de Desenvolvimento e Inovação da Campotec, contou que, em 2016, a OP vendeu 1,5 M€ à McDonald's. O tomate e a maçã fatiados são os produtos mais vendidos pela empresa de Torres Vedras à cadeia de restaurantes estadunidense.

Délio Raimundo explicou que o Oeste «não é suficiente em termos temporais» para satisfazer as necessidades da McDonald's. Entre Janeiro e Abril, a região não tem tomate para consumo em fresco «e é aí que temos de ir buscá-lo ao Sul de Espanha».

Portugal taxa bebidas e proíbe doces nas máquinas automáticas


Neste mês, todos os pacotes de açúcar passam a ter menos quantidade. Máquinas de venda automática mudam em março

Diminui a quantidade de açúcar por pacote na cafetaria e na restauração, aplicam-se taxas sobre as bebidas açucaradas e proíbem-se os doces das máquinas de venda automática do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Portugal parece já ter declarado guerra ao açúcar, mas a bastonária da Ordem dos Nutricionistas alerta que ainda há muito a fazer para diminuir o seu consumo.

Além das referidas medidas, Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direção-Geral da Saúde, destaca uma ação tomada anteriormente para baixar o consumo de açúcares: as orientações dadas às escolas para a oferta alimentar nas cantinas. "Para percebermos o efeitos destas iniciativas, será publicado em março o Inquérito Nacional da Alimentação, que também irá avaliar a quantidade de açúcar que os portugueses ingerem", adianta. Quando saírem os resultados, será possível perceber se é nas crianças ou nos adultos que há um maior consumo, quais as diferenças entre o norte e o sul.

Tal como o sal, sublinha Pedro Graça, "o açúcar é uma das grandes fontes de preocupação a nível europeu", uma vez que "é um produto muito barato", e, na maior parte das vezes, "invisível", já que a sua maior ingestão ocorre em produtos que não são açúcares, mas onde está presente. Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, diz que "é importante que a indústria alimentar reduza a quantidade de açúcar nos seus produtos". Como os consumidores estão habituados aos alimentos com um determinado sabor e perfil, se uma empresa reduzir o açúcar dos seus alimentos, isoladamente, pode perder clientes para a concorrência.

"O que se quer é que haja um acordo entre o Ministério da Saúde e as associações do setor - dos refrigerantes, dos cereais, dos laticínios - e que se comprometam com uma redução num determinado horizonte temporal", sugere.

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas aplaude a taxação sobre as bebidas açucaradas, que entra em vigor em fevereiro, mas ressalva que só faz sentido "se o valor for usado na componente de educação alimentar". "A legislação diz que reverte para o SNS. Acredito que seja para medidas preventivas relacionadas", acrescenta.

Quando questionada sobre aquilo que ainda tem de ser feito em Portugal, a bastonária alerta para a necessidade de consciencialização. "Tem de existir uma tomada de consciência que o consumo é excessivo e que tem consequências negativas". Tudo o que servir para "aumentar a literacia nesta área é de mérito". Uma população "mais informada faz melhores escolhas".

Fruto de um acordo entre a indústria e as autoridades de saúde, a partir deste mês, todos os pacotes de açúcar distribuídos na cafetaria e restauração terão entre cinco e seis gramas, ao contrário das anteriores seis a oito. Já a partir de março, os doces, bem como os snacks e os salgados, desaparecem das máquinas de venda do SNS. Para este ano está ainda previsto o arranque do Plano Assistencial Integrado para a Pré-Obesidade, um modelo de intervenção da DGS. Este prevê que qualquer pessoa que, por qualquer motivo, recorra a uma consulta num centro de saúde seja pesada e medida. Mesmo que entre com uma gripe. Se for detetado excesso de peso, será marcada uma outra consulta para avaliação do problema.

Salmonela: um aliado que combate o cancro cerebral

 
12.01.2017 às 0h32
 
Os ovos são dos alimentos mais associados às salmonelas

JUSTIN SULLIVAN/ GETTY IMAGES
A descoberta para a cura do cancro cerebral está mais perto – uma equipa de investigadores modificou a composição genética da salmonela para matar células cancerígenas

Expresso
EXPRESSO

A salmonela é uma bactéria patogénica para humanos, que provoca uma das principais infeções transmitidas pelo consumo de alimentos. As doenças causadas por salmonela configuram um problema de saúde pública em todo o mundo, responsáveis pela morte de 400 pessoas por ano. No entanto, uma equipa de investigadores da Universidade Duke, no estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, 'programou' a bactéria para não atacar o trato gastrointestinal humano, mas antes a mais agressiva forma de cancro cerebral conhecida: glioblastoma.

Este tipo de tumor é letal na maioria dos casos, devido ao seu rápido crescimento. Mesmo com os melhores cuidados atualmente disponíveis, o tempo médio de vida para quem desenvolve o cancro é de apenas 15 meses, sendo que apenas dez por cento dos pacientes sobrevive por mais cinco anos. A sua remoção total através de cirurgia é praticamente impossível porque pode resultar em lesão cerebral. Mas as células não removidas, nestes casos, têm o poder de se multiplicar e voltar ao tamanho inicial.

O trabalho da equipa de investigadores consistiu em fazer alguns ajustes genéticos no ADN da bactéria e transforma-la num "míssil guiado" contra o glioblastoma, tornando-o inofensivo para o paciente, escreve o blogue tecnológico "Engadget".

Mais especificamente, os investigadores tornaram as bactérias permanentemente deficitárias em purinas, que são bases nitrogenadas (que compõe o ADN, como a adenina e a guanina). Acontece que o tumor tem várias purinas na sua constituição genética, logo vai atrair a bactéria. Uma vez injetada diretamente no cérebro, a salmonela entranha-se no tumor e começa a reproduzir-se.

Os investigadores também fizeram com que a bactéria produzisse dois compostos – "azurian e p53", ambos responsáveis pela autodestruição das células, mas apenas em ambientes com pouco oxigénio, como o interior de um tumor, onde as bactérias se multiplicam rapidamente. Desta maneira, quer as células cancerígenas, quer as bactérias, acabam por morrer.

Nas experiências com ratos, 20 por cento duraram 100 dias, o que equivale a 10 anos. O tratamento duplicou a taxa de sobrevivência e prolongou a esperança média de vida.

Ministro diz que a reforma da floresta estará em vigor até final de junho


16.01.2017 às 22h58

 
Implementação da nova legislação representará um custo estimado "entre os 500 a 600 milhões de euros", adianta Capoulas Santos

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural disse esta segunda-feira que a reforma da floresta estará em vigor até final de junho, estimando os custos da sua implementação "entre 500 a 600 milhões de euros", até 2020.

"Os diplomas que foram aprovados na generalidade serão corrigidos e complementados com algumas das sugestões recolhidas durante a discussão pública. Até final de fevereiro, muito provavelmente, o Governo aprovará, em definitivo, estes diplomas. Uma parte deles seguirá para promulgação do senhor Presidente da República", afirmou Capoulas Santos.

"Há três ou quatro que terão de ir ainda à Assembleia da Republica por se tratar de matérias com competência reservada do parlamento e, portanto, só depois da aprovação no parlamento, que poderá ainda introduzir correções ou alterações, o pacote estará aprovado e em vigor. Eu estimo que isso acontecerá, na totalidade, até ao final do primeiro semestre deste ano", acrescentou o ministro.

O governante, que falava em Ponte de Lima, no distrito de Viana do Castelo, na penúltima sessão de discussão pública da proposta de reforma, a decorrer até 31 de janeiro, adiantou que a implementação da nova legislação representará um custo estimado "entre os 500 a 600 milhões de euros".

"Estimamos que os custos que vamos ter associados aos apoios ao investimento, ao financiamento dos gabinetes técnicos municipais e às equipas de sapadores florestais, andará entre os 500 e os 600 milhões de euros até 2020", afirmou Capoulas Santos, acrescentando: "Esta reforma vai, seguramente, aumentar a riqueza do país e permitir aproveitar muito melhor esse enorme património que temos e que, parte dele, está subaproveitado".

O Governo aprovou, na generalidade, em outubro passado, "um pacote legislativo composto por 12 diplomas, dez dos quais foram colocados à discussão pública durante desde novembro para ouvir contributos da sociedade civil" e "tentar obter o máximo consenso possível".

"Quando falamos de floresta, do que é necessário fazer na floresta, que são tarefas de longo prazo, seria uma pena que uma hipotética mudança de governo, que em democracia acontecerá mais tarde ou mais cedo, que venha um outro governo deitar por terra tudo aquilo que, entretanto, for feito".

Do conjunto de medidas previstas, o ministro destacou "a legalização do património, a elaboração do cadastro, a identificação dos proprietários, a criação de entidades gestoras dos espaços florestais, um banco de terra, onde serão colocadas as terras do Estado, para venda ou arrendamento, e os terrenos identificados como sem dono conhecido".

Reforçou a criação de um Balcão Único do Prédio (BUPi), onde os proprietários poderão registar os seus prédios, gratuitamente, até 31 de dezembro de 2018.

Capoulas Santos revelou que durante os três meses de discussão pública da proposta de reforma "as críticas ao modelo de fundo não são muito substanciais", adiantando que "as questões mais polémicas" prendem-se com as competências atribuídas às autarquias e com as áreas de produção de eucalipto.

"Nalguns sítios acusam esta reforma de dar demasiado poder às autarquias e, noutros lados, dizem que há défice de transferência de poderes para os municípios", explicou.

Relativamente à produção de eucalipto, disse que "a estratégia do Governo vai no sentido de não aumentar a área mas conduzir o eucalipto para as zonas onde ele pode ser mais produtivo".

"Temos, em Portugal, zonas onde se produzem 30 metros cúbicos de madeira de eucalipto por hectare, mas a produtividade média de Portugal é cinco metros cúbicos por hectare. Isto significa que há muitos milhares de hectares que estão em sítios onde esta espécie não é produtiva", explicou, garantido que o Governo "tem consciência de que esta fileira é muito importante para as exportações do país e para a produção de pasta de papel".


Mercado das flores vale 500 milhões e atrai multinacionais


Nuno Miguel Silva
 14 Jan 2017

Grupo estrangeiro Interflora anunciou esta semana a entrada no mercado nacional, onde quer construir uma rede com 150 a 200 floristas. Mercado tem reforçado volume de negócios e aumentado as exportações, que já valem entre 15% e 20% do total.

flores

O mercado nacional das flores, entre flores de corte e plantas envasadas, deverá valer cerca de 500 milhões de euros de receitas por ano, segundo revelou ao Jornal Económico Vítor Araújo, vice-presidente da APPP-FN – Associação Portuguesa de Produtores de Plantas e Flores Naturais. Desse montante, cerca de 15% a 20% destina-se à vertente de exportação, um segmento em constante crescimento. Este dinamismo é uma das razões que explica por que é que esta semana, um dos líderes mundiais do setor, a Interflora, anunciou a sua entrada no mercado nacional.

"Portugal é uma grandessíssima oportunidade para nós, em particular no que respeita às oportunidades de comércio eletrónico. Por outro lado, a economia portuguesa está a recuperar", explicou Eduardo Gonzalez, CEO da Interflora Espanha, em declarações exclusivas ao Jornal Económico. A Interflora já garantiu uma rede de cerca de 60 floristas em Portugal, mas o seu objetivo é chegar a  um total entre 150 e 200 floristas nacionais.

O vice-presidente da APPP-FN considera positiva esta entrada da Interflora no mercado nacional. "Penso que é benéfico. Penso que é positivo tudo o que seja facilitador da entrega de flores ao consumidor final e, por isso, vejo com bons olhos essa notícia, penso que é muito boa para o setor",  defendeu Vítor Araújo.

Eduardo Gonzalez assume que a entrada do grupo no mercado nacional de flores "é um compromisso firme da Interflora" e avança que "vemos oportunidades especialmente no comércio de flores online em Portugal, para o qual estamos a preparar uma teia completamente adaptada ao mercado português". A empresa renovou a sua página na web para adaptá-la a todos os dispositivos. O comércio eletrónico já responde por 70% dos pedidos recebidos pela Interflora.

A Interflora Espanha registou vendas de 15 milhões de euros no ano passado, respeitantes a cerca de 250 mil pedidos. A empresa tem no país vizinho uma rede de 1.600 floristas. Para o presente exercício, Eduardo Gonzalez prevê um aumento do volume de negócios entre 2% e 4%. Segundo os dados disponibilizados pela Interflora, em média, um comprador de flores realiza um pedido e meio por ano, gastando cerca de 50 euros. Cerca de 35% das encomendas de flores solicitadas à Interflora ocorrem no Dia dos Namorados (São Valentim) e no Dia da Mãe.

A marca Interflora nasceu em 1980 e está presente em 150 países, com uma rede de 55 mil floristas e mais de 10 milhões de encomendas respondidas por ano. Em cada dia, cerca de 30 mil clientes de vários pontos do Globo confiam na Interflora. Em Espanha, a Interflora opera desde 1951, tendo registado mais de 10 milhões de encomendas até ao momento.

Em Portugal, o mercado das flores tem beneficiado das mais recentes melhorias nas técnicas de produção e dos investimentos realizados. Segundo Vítor Araújo, nos últimos anos "aumentámos em cerca de 10% as exportações e reduzimos as importações em cerca de 20%".

No que respeita ao segmento das flores de corte, o grosso das exportações vai para Espanha e para a Holanda, sendo também esses países as principais origens de importações. No segmento das plantas envasadas, os principais mercados de exportações são a França, Inglaterra e Itália.

Os principais centros de produção de flores em Portugal, além da ilha da Madeira, são a região do Montijo, que inclui os concelhos de Alcochete e de Palmela. Esta região é responsável por cerca de 70% da produção de flores em Portugal, estando aí localizadas cerca de 200 hectares de estufa. Vítor Araújo refere que existe ainda um outro grande centro produtor de flores em Portugal, na Costa Vicentina, na região de Odemira, essencialmente assegurado por produtores holandeses. As regiões de Aveiro e de Chaves também têm relevância neste setor. No segmento de plantas envasadas, os maiores focos de  produção localizam-se nas zonas Centro e Norte do País.

Para o vice-presidente da APPP – FN, as datas festivas são os pontos altos do mercado de flores em Portugal, a saber: Natal, Dia dos Namorados, Dia da Mãe, Dia da Mulher, Dia de Finados e Páscoa. Além do consumidor final, um parceiro estratégico dos produtores de flores são as grandes superfícies.

Segundo os dados do INE – Instituto Nacional de Estatística, em 2012, as principais áreas de plantação de flores de corte em Portugal eram ocupadas pela prótea, gladíolo, crisântemo, gerbera, rosa, lírio, cravo e cravina.

Altri assina na segunda-feira contratos de investimento com Estado


A cerimónia de assinatura dos contratos de investimento, que terá lugar na Celbi, Leirosa, na Figueira da Foz, será presidida pelo primeiro-ministro.

15 de Janeiro de 2017 às 12:16

O grupo Altri vai assinar na segunda-feira contratos de investimento com o Estado português, através das suas subsidiárias Celbi e Celtejo, num evento que será presidido pelo primeiro-ministro, António Costa.
 
A cerimónia de assinatura dos contratos de investimento, que terá lugar na Celbi, Leirosa, na Figueira da Foz, conta também com as presenças dos ministros da Economia e da Agricultura, bem como do secretário de Estado da Indústria, de acordo com a empresa.
 
O grupo português Altri dedica-se à produção de pasta de papel nas suas três unidades - Caima, em Constância, Celtejo, em Vila Velha de Ródão, e Celbi, na Figueira da Foz, e desenvolve também atividade na gestão da floresta, detendo cerca de 85 mil hectares, bem como produz energia através da biomassa.
 
Em Dezembro passado, de acordo com a minuta do contrato de investimento aprovado pelo ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e pelo secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira, publicado em Diário da República, a Celtejo, fábrica de pasta de papel da Altri, vai investir 85,3 milhões de euros no novo projeto de inovações no processo de produção de papel 'tissue'.

O queijo e a serra de Jorge Coelho

Jorge Coelho voltou às origens e à memória dos tempos em que o avô Raul o levava em busca dos melhores queijos da serra. O ex-ministro investiu 1,5 milhões de euros para criar a queijaria Vale da Estrela, na região de Mangualde, e vai vender até para a China. "É o projecto da minha vida", assegura.

23 de Dezembro de 2016 às 10:45

O leite chega às oito e meia da manhã, depois de ter sido recolhido durante toda a noite junto de produtores da zona. É esse leite cru de ovelhas de raça bordaleira, alimentadas em pastagens da região demarcada da Serra da Estrela, que as queijeiras da Vale da Estrela vão trabalhar. Em São Cosmado, Mangualde, Jorge Coelho pôs em marcha um projecto que o trouxe de regresso às origens. Seguindo a vocação do seu avô Raul, começou há dois meses a produção de queijo da serra certificado. Investiu 1,5 milhões de euros, recorrendo a crédito bancário, e depois de Portugal e Reino Unido prepara-se para começar a vender para a China.

Dez queijeiras vão, numa manhã igual às outras, dar forma aos 220 queijos de meio quilo que serão produzidos naquele dia. Nas grandes cubas, juntam ao leite o sal e a flor do cardo para que coalhe. As mãos das mulheres começam então a dessorar a coalhada. Com a ajuda de um pano, juntas, espremem com força. 

São jovens e têm um sorriso na cara. À excepção de Anabela Fraga, responsável pela produção contratada por Jorge Coelho a outra queijaria da região, as trabalhadoras da Vale da Estrela (que, no total, conta com 13 pessoas) estavam desempregadas. Concorreram ao lugar, entre muitas outras candidatas (todas mulheres), tiveram formação e hoje, salienta o ex-ministro socialista, têm contrato sem termo e podem "desenvolver uma nova carreira com dignidade". 

Na queijaria, o trabalho segue a tradição. Retirado o soro à mão, que vai servir para fazer requeijão, a massa é colocada em formas com destino a uma prensa que permitirá eliminar o excesso. Resta colocar-lhe a marca de caseína, o bilhete de identidade de cada queijo que identifica o lote e o produtor, e salgá-lo para que ganhe casca a toda a volta. Numa primeira câmara frigorífica vai ficar 12 ou 13 dias, onde será virado e lavado antes de passar para uma segunda, onde durante mais cerca de 15 ou 16 dias verá a casca engrossar. "No mínimo, têm de ter 30 dias de cura", explica Anabela Fraga, corrigindo os tempos referidos por Jorge Coelho para esta fase do processo. "Ele já sabe bastante mas ainda é um pouco leigo", sorri.

Em menino, o socialista aprendeu a arte da cura com o avô Raul, que tinha um negócio de compra, tratamento e venda de queijo da Serra da Estrela. Depois de ter deixado Mangualde, primeiro para estudar em Coimbra e depois com destino a outros voos em Lisboa, o ex-presidente da Mota-Engil passa agora metade da semana na terra. Quer colaborar no desenvolvimento da região. "Já estive em muitos projectos de grande dimensão em Portugal, seja a nível político, seja nas empresas, mas este é o projecto da minha vida", admite.

Para fazer um queijo DOP (denominação de origem protegida), as 10 mulheres fazem na Vale da Estrela o mesmo trabalho que uma só faria numa grande fábrica, mas esse não seria um queijo certificado. Para o ser tem de seguir o método tradicional, ainda que hoje conte com o apoio da tecnologia e cumpra rigorosas regras de higiene e segurança alimentar. Na sua produção apenas pode ser usado leite de ovelha bordaleira, só lhe é adicionado sal e cardo e o soro tem de ser retirado manualmente. Lavar, cintar, espremer e enformar também exigem mão humana. Por isso, acaba por ser um queijo caro. E "gourmet".

Na área de produção, Anabela Fraga não pára, dando o exemplo às outras mulheres. Tanto está a limpar cubas como a fazer requeijão. O número destes queijos frescos vai variar em função da quantidade de soro retirado. A marmita que utiliza permite produzir 160. 

As duas câmaras frigoríficas estão repletas de queijo que vai sair para o Natal. A queijaria produz apenas queijo DOP Serra da Estrela, de 500 e 800 gramas, e requeijão. Irá ainda fazer o curado, diz Jorge Coelho," e mais nada". No que ao queijo diz respeito. Porque, na Vale da Estrela, está já montada uma cozinha industrial para fazer compotas. A ideia é que durante os meses de Verão, em que não há leite, a empresa produza compotas de abóbora, frutos vermelhos (mirtilos, morangos e framboesas) e Maçã Bravo de Esmolfe. O "break even" do investimento está previsto acontecer em quatro ou cinco anos, afirma o agora empresário, que já tem um novo projecto para quando o da queijaria estabilizar: uma plataforma electrónica para vendas online de produtos da região. 

Desde que a Vale da Estrela abriu as portas, no passado dia 5, sucedem-se as visitas ao espaço. Ali é possível comprar os queijos, mas também peças de artesanato que Jorge Coelho idealizou e encomendou a artesãos da região. De viagens que fez trouxe ideias que replicou. Criou uma "caixa do queijo" como viu em Paris, pediu a um escultor um boneco de um pastor, tirou as pernas a francelas (onde se punha o queijo a secar) criando uma tábua para requeijão. À venda estão ainda miniaturas de casas típicas da serra, assim como da capela de Santo António dos Cabaços, não fosse ele o protector das ovelhas.

Nova plataforma virtual liga agricultores e consumidores de todo o país

11/1/2017, 20:01423

A plataforma virtual "Adelaide.farm", apresentada no Algarve, vai permitir aos pequenos produtores vender os seus produtos a preços justos, entregando-os perto da casa de consumidores de todo o país.

A plataforma virtual "Adelaide.farm", apresentada esta quarta-feira no Algarve, vai permitir aos pequenos produtores vender os seus produtos a preços justos, entregando-os perto da casa de consumidores de todo o país.

O projeto visa "resolver o problema de escoamento dos pequenos agricultores", embora também possa abranger grandes produtores, explicou a sua promotora, Alice Teixeira, que quer também contribuir para travar o abandono crescente da atividade agrícola por falta de viabilidade económica.

A plataforma vai ligar os produtores — que se comprometem a vender os seus produtos a preços justos e nas quantidades que quiserem — aos consumidores, que podem ter acesso a produtos nacionais da época, recolhendo-os em pontos de entrega, que se espera que estejam espalhados por todo o país.

O objetivo é que existam várias regiões Adelaide — locais onde se vão realizar as entregas — geridas por um organizador, que pode ser um agricultor ou uma cooperativa, desde que esteja ligado à atividade, e cuja função é agregar as propostas de "stock" dos produtores e tratar das encomendas, explicou Alice Teixeira.

O preço dos produtos é definido pelo produtor, que deve sempre receber mais de metade do preço final de venda, sendo também entregue ao organizador uma margem de entre 20% a 30% do valor, pelo seu trabalho.

Já a MyFarm, empresa que promove a plataforma, nascida no Instituto Politécnico de Beja, recebe uma percentagem pelas vendas: de 5% no caso de serem vendas de produtos a grosso, a profissionais, e de 16%, no caso de vendas domésticas.

Os consumidores podem fazer a compra dos produtos em várias modalidades, inclusive através da gestão de uma horta visual.

Neste caso, segundo Alice Teixeira, o que se pretende "é que o consumidor se fidelize a um conjunto de agricultores e os ajude a pagar os custos de produção ao longo de um período", pagando uma mensalidade, com a duração de três, seis ou doze meses.

O consumidor pode também optar por fazer compras na modalidade de mercearia, adquirindo cabazes regionais ou produtos a granel, sendo o organizador quem define o número de produtos por cabaz e indica a quantidade mínima de compra por produto.

Para os consumidores profissionais, como restaurantes, mercearias ou mesmo outros produtores, está disponível a modalidade de venda de produtos a grosso, o que permite beneficiar de descontos, consoante as quantidades encomendadas.

Os produtores que queiram integrar o projeto devem inscrever-se na plataforma, embora a inscrição tenha que ser validada, havendo uma ferramenta simplificada de gestão na plataforma para contabilizar custos e receitas.

Segundo Alice Teixeira, o nome dado ao projeto é uma forma de homenagear uma agricultora da região de Leiria chamada Adelaide e que se viu obrigada a abandonar a agricultura por falta de rentabilidade.

Luís Miguel Campos, também parceiro no projeto, referiu que se trata de "um modelo de negócio diferente" cujo objetivo "não é ganhar dinheiro", mas sim que os agricultores possam ganhar mais e os consumidores comprar produtos de melhor qualidade a bons preços.

Novo representante da FAO em Portugal quer conselho nacional de segurança alimentar


por Ana Rita Costa- 16 Janeiro, 2017

O novo representante da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO), Francisco Sarmento, defendeu que a criação de um Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CNSAN) que reúna os players mais relevantes na promoção de uma alimentação saudável deve ser uma questão prioritária.

De acordo com a Lusa, o responsável referiu que "Portugal não tem [um CNSAN] e eu acho que era importante. Não tem de ser, necessariamente, um órgão completamente novo, deve construir-se com base no que já existe".

O responsável assumiu funções em dezembro passado, sucedendo a Hélder Muteia, e pretende que se crie um órgão à semelhança do que já existe noutros países da CPLP e que permita que "as diferentes iniciativas que existem do Ministério da Saúde, da Educação, da Agricultura possam caminhar juntas para resolver os problemas da alimentação".

"A necessidade de uma maior coordenação entre setores cuja ação impacta na questão da alimentação é uma prioridade em Portugal", afirmou, sublinhando também que "nós temos um campo muito amplo para trabalhar em Portugal se quisermos, de facto, realizar no país o direito humano à alimentação adequada".

"Em Portugal, não temos problemas graves de subnutrição como noutros países, mas isso não significa que não tenhamos problemas no sistema alimentar que impactam na saúde das pessoas", acrescentou ainda Francisco Sarmento.

Para o novo representante da FAO, é preciso também responder à desertificação que está a ocorrer nas regiões do interior do país. É que de acordo com o responsável, "os agricultores de menor dimensão deixaram de ser competitivos e a atividade agrícola praticamente em algumas regiões já não é expressiva". A solução, diz ainda, poderia passar pela criação de "um mercado local baseado nas compras públicas das escolas e das Forças Armadas, por exemplo. Existem estudos realizados em países da Europa que mostram que isso representa 10% a 15% do Orçamento do Estado. Este tipo de ação poderia manter estes agricultores nos campos, impedir a saída de pessoas para as grandes cidades e, talvez, levar outras pessoas a retornar para a agricultura."

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

"Frio não deriva das alterações climáticas"


O geofísico e investigador das alterações climáticas, Filipe Duarte Santos explica que frio não está ligado às alterações climáticas

Como responde aos que dizem que esta vaga de frio que atinge a Europa e o hemisfério norte em geral é uma prova de que não há aquecimento global?

Aquilo que caracteriza o aquecimento global é a média da temperatura ao longo do ano e para toda a superfície do globo. Esquecem-se da palavra global. Temos milhares de estações meteorológicas certificadas pelos países membros da Organização Meteorológica Mundial e quando chegamos às médias destas estações temos um valor anual que está a subir. Há uma variabilidade natural, mas a tendência é sempre a temperatura a subir. Desde a Revolução Indus trial já subiu 1º C. Há quem diga que esse valor é pouco, mas não se lembram que a terra é muito grande e que esta é uma alteração significativa. As temperaturas mais baixas acontecem numa determinada região da terra, mas a subida das temperaturas médias é a nível global.

Mas há tendência para fenómenos mais extremos?

Sim, mas o que caracteriza melhor estes fenómenos extremos são as ondas de calor, onde há uma mortalidade muito elevada, e que são cada vez mais frequentes, com temperaturas muito altas, seca e depois períodos de precipitação em flecha, muito rápida. Os períodos frios não são característicos das alterações climáticas. Para nós, Portugal, é pior a seca que o frio.

Como vê a perceção na sociedade destes fenómenos?

A realidade é esta: se formos à internet e pesquisarmos por "alterações climáticas", encontramos sites que dizem que é um embuste. E outros, evidentemente, que procuram explicar que existem e usam dados científicos. As pessoas com menos conhecimentos tanto podem acreditar numa coisa como noutra. Não vale a pena mistificar isto: há duas narrativas. Há muitos governos que reconhecem já que existem alterações climáticas e chegou-se ao Acordo de Paris. Os cientistas também devem ter mais intervenção pública, mesmo que isso nem sempre seja confortável.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Está na hora do vinho do Porto “dominar o mundo”, diz a Bloomberg


Shrikesh Laxmidas

A agência norte-americana diz que o 'boom' de turismo em Portugal está a criar uma nova geração de fãs do vinho fortificado, deixando para trás uma aura nostálgica. Chegou oficialmente a altura de dar uma nova oportunidade ao 'Port'.

A popularidade de Portugal como destino turístico está a disparar, diz a Bloomberg Pursuits, o site de 'lifestyle' da agência, realçando que em 2016 o número de visitantes só dos EUA escalou 22%. "O próximo passo para a dominação mundial? A  bebida emblemática do país", responde a agência.

"Talvez pense no vinho do Porto como meramente a monótona e última dose de álcool servida no final de um jantar refinado. Pode ter mesmo experimentado e pensado que é tão adocicado que não é surpresa que só o sirvam num copo que tem o tamanho de um dedal. Mas chegou oficialmente a altura de dar uma nova oportunidade ao 'Port'".

Enquanto o Xerez espanhol é mais como um 'aguçar' de um vinho normal, a bebida portuguesa sabe mais a um 'alargamento' do vinho. Fortalecido com brandy e envelhecido em madeira, tem uma profundidade de sabor que inspira a nostalgia.

A Bloomberg explica que essa aura nostálgica que rodeia o vinho do Porto é acentuada pelo fato da principal geração de consumidores estar a desaparecer. "Uma suave queda da vendas globais sugere que há alguma verdade no estereótipo que a demografia do vinho Porto consiste de tias solteironas e membros de clubes de 'gentlemen'".

As perspetivas são, no entanto, positivas, diz a agência. "O 'boom' do turismo pressagia uma reviravolta. Uma nova geração de adeptos do vinho Porto está a caminho", frisou.

Após descrever os diferentes tipos de Porto e sugerir algumas técnicas para decantar e saborear o vinho, a Bloomberg vinca que também há outras formas mais descontraídas de consumir a bebida. O Porto Tónico, muito apreciado em França e na Bélgica, mistura o Porto branco com água tónica para criar um leve aperitivo. Nos EUA, a comunidade de criadores de cocktails, ou 'mixologists', tem se esforçado para manter o vinho do Porto em moda, incorporando-o em novas misturas e em variações de receitas clássicas.

A Pursuits oferece, para mostrar a resiliência histórica do vinho português mais famoso, a receita para um cocktail que foi criado no final do século 19 mas que é ainda servido em bares de bairros 'trendy' como Brooklyn, em Nova Iorque. "Escuro e pesado como o polido e sólido mogno, evoca os clubes de 'gentlemen', mas da melhor forma. Recomendo como um 'nightcap', última bebida antes de se deitar, parcialmente por ser meio caminho andado para um analgésico que o adormece – porventura para sonhar com o renascer do vinho do Porto".

Subida generalizada do preço do azeite

 22-12-2016 
 

A quebra da produção de azeite já se faz reflectir nos preços. O Comité Oleícola Internacional (COI) divulgou recentemente os valores do azeite.

Em Espanha, os preços do azeite Virgem Extra, na origem, aumentaram de forma regular e constante situando-se nos finais de Novembro de 2016 em 3,37 euros o quilo, o que representa um aumento de 10 por cento relativamente ao mesmo período no ano anterior.

Em Itália, os preços do azeite Virgem Extra, na origem, a partir de meados de Agosto iniciaram uma tendência em alta que se intensificou no princípio de Novembro aumentaram de forma regular e constante situando-se nos finais de novembro de 2016 em 5,75 euros o quilo, o que representa um aumento de 70 por cento relativamente ao mesmo período no ano anterior.

Na Grécia, os valores do azeite Virgem Extra, na origem, desde meados de Agosto mantiveram-se estáveis, mas à semelhança dos restantes mercados iniciaram uma subida nas últimas semanas, situando-se nos finais de Novembro de 2016 em 3,46 euros o quilo, o que representa um aumento de 21 por cento relativamente ao mesmo período no ano anterior.

Por último, na Tunísia, os preços do azeite Virgem Extra, na origem, nas últimas semanas mantiveram-se estáveis mas começaram a subir situando-se nos finais de novembro de 2016 em 3,68 euros o quilo, o que representa um aumento de 12 por cento relativamente ao mesmo período no ano anterior.

Fonte: FENAZEITES notícias

Armazenamento de água em Dezembro subiu em oito bacias hidrográficas

 03-01-2017 
  
A quantidade de água armazenada em Dezembro em Portugal continental subiu em oito bacias hidrográficas e desceu em quatro, relativamente ao mês anterior, de acordo com o Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos.

Segundo o boletim de armazenamento de albufeiras do Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH), divulgado esta terça-feira, no último dia de Dezembro verificou-se uma subida em oito bacias e uma descida em quatro, comparativamente a igual período do mês anterior, das 60 albufeiras monitorizadas.

Das albufeiras monitorizadas, oito apresentam disponibilidades hídricas superiores a 80 por cento do volume total e 18 têm disponibilidades inferiores a 40 por cento.

Os níveis mais elevados de armazenamento de água em Dezembro de 2016 ocorreram nas bacias do Guadiana (75,7%), Mondego (71,9%), Tejo (71,7%), Mira e Barlavento (64,1%), Douro (62,2%), Cávado (68,5%), Oeste (56,7%), Arade (47,9%), Lima (35,3%), Ave (31,9%) e Sado (27,3%).

O SNIRH indica que os armazenamentos de dezembro de 2016, por bacia hidrográfica, apresentaram-se inferiores às médias dos valores do mesmo mês nos períodos de 1990/91 a 2014/15, excepto para as bacias do Mondego e Tejo. A cada bacia hidrográfica pode corresponder mais do que uma albufeira, segundo o SNIRH.

Fonte: Diáriodigital; Lusa

Governo angolano quer alocar 10% das receitas fiscais ao desenvolvimento agrário


por Ana Rita Costa- 6 Janeiro, 2017

O Governo de Angola vai alocar 10% das receitas fiscais associadas à importação de produtos agrícolas ao financiamento do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA). De acordo com a Lusa, o objetivo desta medida é "adequar as normas de organização e financiamento" à legislação do país, já que o FADA é uma instituição financeira.

O capital social do FADA é de cerca de 145 milhões de euros e faz a concessão de crédito "às ações viradas para o desenvolvimento da produção alimentar e agrícola e para o negócio". O objetivo é criar uma espécie de 'banco' para a agricultura angolana, que receberá transferências anuais do Estado.

"Doravante, o FADA funcionará como instituição financeira especializada destinada a apoiar a política de fomento agrário, sob a tutela do Ministério das Finanças", refere uma nota do secretariado do conselho de ministros angolano a que a Lusa teve acesso.

O Governo angolano anunciou também no início deste ano a criação de um programa que pretende dinamizar a produção nacional e diversificação além do petróleo. O objetivo é travar as importações e aumentar as exportações, já que Angola está a viver uma profunda crise económica.

Cientistas estão a usar técnicas forenses para medir qualidade do azeite e prevenir fraudes


por Ana Rita Costa- 6 Janeiro, 2017

O ADN já não ajuda só a resolver crimes. De acordo com o Olive Oil Times, já está a ser utilizado também no controlo de qualidade de produtos alimentares e na prevenção de fraudes no azeite.

Como explica a publicação, um grupo de cientistas conseguiu quantificar a presença de ADN no azeite com recurso a técnicas forenses. Segundo Gabriel Dorado Pérez, Professor de Biologia Molecular e o investigador por detrás deste trabalho, "o objetivo é desenvolver um método para determinar se os azeites rotulados como monovarietais contêm outro tipo de óleos".

Os objetivos do projeto passam também pela promoção das certificações de qualidade, de origem e monitorizar e identificar casos de fraude, elementos cada vez mais importantes para o mercado do azeite, até porque a fraude impacta não só produtores de olival, mas também marketeers, produtores de azeite e distribuidores.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Propriedades a saque. O mundo surreal dos roubos agrícolas


JOANA MARQUES ALVES
05/01/2017 21:06

Produtores desesperam com número crescente de furtos. Ladrões levam laranjas, castanhas, azeitonas e gado, deixando os agricultores em situações difíceis e com prejuízos de milhares de euros

O roubo agrícola e pecuário é cada vez mais uma preocupação para milhares de produtores de todo o país. São vários os esquemas usados por quem tenta lucrar com o trabalho dos outros, mas o principal problema, defendem muitos agricultores, está na falta de controlo no setor agropecuário e na distribuição. "Só roubam se houver quem compre", disseram ao i diferentes responsáveis desta área.

Os dados da Operação Campo Seguro da GNR permitem ter uma dimensão do problema. Anualmente, entre os dias 1 de novembro e 31 de janeiro, os militares intensificam "o patrulhamento nas explorações agrícolas, com o objetivo de prevenir o furto de produtos agrícolas, o furto de metais não preciosos e ainda situações de tráfico de seres humanos", explicou fonte desta força de segurança ao i.

Só em novembro, a GNR organizou 8749 ações de sensibilização, tendo sido registados 46 crimes e 122 contraordenações. Vinte pessoas acabaram por ser detidas, e 37 identificadas. Segundo os dados fornecidos ao i, Braga foi o distrito que registou mais ocorrências criminosas (27), seguido por Beja (6), Santarém (4), Portalegre (3), Viseu (3). Évora (2) e Guarda (1). Dez pessoas foram detidas em Santarém, cinco em Beja e cinco em Braga.

Neste período, a GNR apreendeu 3,74 toneladas de azeitona em Beja, 20 quilos de cobre em Braga e 330 quilos de azeitona em Portalegre. Se os números são expressivos, os prejuízos de quem é roubado não ficam atrás. "Estamos a falar de prejuízos de centenas de milhares de euros. Para além do roubo, temos depois toda a logística que tem de ser implementada constantemente para evitar os furtos. Temos de tomar medidas para que não torne a acontecer e tudo isso custa muito dinheiro", explicou ao i o eng.o Pedro Silveira, membro da direção da União da Floresta Mediterrânica (UNAC).

O responsável adianta que tem havido trabalho conjunto dos produtores com as autoridades policiais, mas a jusante. "O problema grave que temos não é com a GNR, mas sim com os tribunais. As pessoas são apanhadas em flagrante e, muitas vezes, são libertadas. Há pouco tempo foi noticiado o desmantelamento de uma rede no distrito de Setúbal com 13 ou 14 pessoas. Estão identificadas, todos sabem quem são. No dia a seguir, depois de terem sido ouvidos em tribunal, já estavam todos na rua", explica Pedro Silveira, que descreve o modus operandi habitual. Regressam ao "mercado", a comprar e vender bens roubados, por vezes com outras pessoas a representá-los como testas-de- -ferro. Laranja, azeitona, castanha, pinhas, gado, cortiça e fios de cobre são os produtos que mais circulam por mãos alheias. Nestas páginas contamos-lhe como.

Em face do número de roubos de laranja no distrito de Faro, a GNR decidiu criar a Operação Citrino Seguro. Esta consiste no "patrulhamento nas explorações agrícolas onde se realizaram campanhas de apanha da laranja, estabelecendo-se contactos com as associações de produtores tendo em vista a agilização da intervenção policial, bem como ações de fiscalização nos acessos às explorações, locais de armazenagem e pontos de venda junto de vias rodoviárias, nestes casos em coordenação com a ASAE", explicou fonte oficial da GNR.

A última operação teve lugar entre os dias 27 de julho e 15 de agosto de 2016 e contou com a participação de 57 militares. Estes realizaram 49 ações de sensibilização, detiveram três pessoas e identificaram quatro, elaboraram quatro autos de contraordenação e aprenderam cerca de 170 quilos de laranjas.

Mas nem como uma ação de força os produtores acreditam que a ameaça cesse. "Com a Operação Citrino Seguro notou--se alguma acalmia. E até levou à detenção de um grupo em Tavira, apanhado em flagrante (…) Mas as autoridades, por mais boa vontade que tenham, não conseguem resolver o problema. Há que ter em conta outros fatores, como a falta de trabalho, o baixo rendimento e a sensação de impunidade perante a lei. Tudo somado faz com que haja um incentivo ao roubo e à sua repetição", disse ao i Horácio Ferreira, membro da Cooperativa Agrícola de Citricultores do Algarve (Cacial).

Horácio Ferreira admite que em 2016 houve mais queixas do que no ano anterior. "Os roubos iniciam-se na altura em que a laranja começa a ter cor e a saber bem, mas há casos em que os frutos são roubados mesmo antes disso", explicou o responsável, referindo que o furto tem como objetivo a venda nacional e internacional, principalmente em Espanha.

"Se somarmos todos os roubos, chegamos a uma quantia muito elevada. Não sei precisar valores, mas chega-se seguramente a uns largos milhares de euros. Não sabemos como controlar isto, só se tivermos um guarda no pomar a tempo inteiro", remata.

O ano de 2016 fechou com a notícia da detenção de 14 pessoas e a apreensão de uma tonelada de azeitonas, furtadas na zona de São Manços, distrito de Évora. Em Ferreira do Alentejo, Beja, foram apreendidas mais 20 toneladas de azeitona furtada. Já esta semana, na mesma zona, houve mais três detenções e 330 quilos de azeitona apreendida.

Mais uma vez, as notícias da atuação policial não tranquilizam os olivicultores, que são dos que mais sofrem com o furto agrícola – o roubo da azeitona não tem parado de crescer.

"Tem havido um crescimento enorme do furto da azeitona – não por existirem mais ladrões, mas porque há menos azeitonas", explica José Maria Falcão, perito da Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP).

A apanha começou bastante mais tarde em Espanha e isso fez com que os lagares espanhóis começassem a aceitar azeitonas de qualquer origem, adianta o responsável, que apela a maior controlo na circulação de mercadorias. "Há cada vez menos autoridade neste país – tudo se rouba, tudo se transporta, tudo se transaciona nas barbas da autoridade e não se pedem responsabilidades", sublinha José Maria Falcão.

"No último mês tem sido uma coisa diabólica. Já existem bandos organizados de ladrões, grupos de dez, 20, 30 pessoas que invadem os olivais durante o dia ou a noite, apanham a azeitona e transportam-na para um centro de receção entre Elvas e Campo Maior. Não sabemos se está ou não legal. Nem a ASAE sabe nem a Autoridade Tributária dá uma resposta sobre o assunto (…)", relata o responsável, que se limita a explicar o que todos comentam. Os centros de receção não emitem um único documento de entrada ou de saída, são feitos pagamentos em que não há fatura, não há guia de remessa, não há nada. "A GNR, com os meios que possui, não consegue lidar com o problema. Já houve agricultores ameaçados, as pessoas têm medo de ir aos seus próprios olivais."

E para além de temerem os criminosos, os agricultores lidam com outro problema tão grave quanto este: o prejuízo financeiro. "Falamos de dezenas ou centenas de milhares de euros. (…) Só um grande produtor desta zona [Elvas e Campo Maior] fala em mais de 100 mil quilos roubados. Se multiplicarmos por 50 cêntimos o quilo, veja o prejuízo que aqui está. No meu caso roubaram 20 ou 30 toneladas e todos os outros olivicultores se queixam do mesmo", explica José Maria Falcão, que defende que Portugal devia seguir o exemplo de Espanha e implementar leis mais rigorosas no setor e reforçar a fiscalização.

"Todos os ladrões só roubam se houver alguém que compre o produto. Se esses postos de receção forem obrigados a estar completamente legalizados, a pagar os seus impostos e a ter documentação sobre tudo o que entra e sai, de forma a existir uma contabilização da matéria, começam a existir fiscalizações bem feitas. Nisso temos de ser como os espanhóis. Cá, quando os produtos agrícolas são transportados para o primeiro local de transformação, não precisam de nenhuma guia de remessa. Essa ausência de responsabilização, de um documento legal, impede, em parte, a GNR de atuar. Já houve juízes que questionaram o porquê de os agentes da autoridade estarem a autuar certas pessoas a quem chamam ladrões por não terem nenhum documento, quando aos próprios agricultores não é exigido esse testemunho. Por isso, há aqui um vazio legal que permite tudo. E tem de haver uma fiscalização apertada ao setor transformador: nós sabemos perfeitamente quais é que abrem as portas a este tipo de furto."

Outro produto que tem sido alvo de repetidos furtos é a castanha. O aumento do roubo tem sido exponencial e os produtores já não sabem como travar os delinquentes. O "saque" tende a começar em meados de novembro, em zonas em que muitos produtores são idosos e onde parece imperar a máxima de que o crime compensa.

"Há falta de mão-de-obra em zonas que têm pouca gente e a maior parte da população é idosa. Na altura da apanha chegam pessoas do estrangeiro para ganhar a jorna. Só que agora estão a chegar pessoas que já não querem trabalhar para receberem o dia, ganham mais roubando um saco de castanhas do que a andar um dia inteiro a trabalhar."

É esta chegada crescente de ladrões em vez de trabalhadores que tem deixado os produtores preocupados. "Existem dezenas de viaturas de ladrões, com carrinhas cheias, à beira das estradas. Uma pessoa de 70 ou 80 anos reclama com eles e é maltratada. Se oferecer resistência, chegam a agredi-la", revelou ao i uma fonte do setor que não quis identificar-se.

Nesta área, o problema é o mesmo que nas restantes: o setor compactua com esta atividade criminosa ao comprar castanha roubada e as autoridades não conseguem impor a lei. "Como são roubos feitos em pequenas quantidades, as pessoas não querem andar em tribunais a arrastar a situação. Há também furtos em armazéns que depois são diluídos nos roubos de menores dimensões feitos nas propriedades. A lei acaba por os proteger, só se consegue acabar com o problema apanhando-os em flagrante. Mas, mesmo assim, os ladrões podem dizer que estão a apanhar para comer", diz a mesma fonte.

Nestes casos, o crime não é furto mas invasão de propriedade privada. "Ninguém pode meter uma pessoa na prisão por andar a apanhar um quilo de castanhas para fazer o magusto em casa. E os produtores também não podem fazer nada porque chegam a tribunal e são mandados para casa."

Para Pedro Silveira, da União da Floresta Mediterrânica, o roubo da pinha é outro dos grandes problemas com os quais as autoridades têm de lidar.

Apesar de ter sido recentemente implementada legislação mais apertada para este produto especificamente, o número de roubos voltou ao que era nos últimos anos. Isto porque, segundo o responsável, as pessoas já sabem como funcionam as novas normas e aproveitam os "buracos" na lei para continuar a roubar.

"Deixou de ser uma legislação criminal para ser administrativa. As pessoas não são presas, mas sim multadas por andarem a transportar pinhas que não conseguem provar que são delas. (…) No momento em que a alteração foi introduzida, houve um retrocesso nos furtos mas, hoje em dia, já está praticamente igual ao que era: as pessoas já conhecem a legislação e já sabem o que podem ou não fazer de forma a não serem apanhadas, usando documentação falsa e aproveitando a falta de fiscalização."

Os esquemas são vários. Uma pessoa pode dizer que é dona de um pinhal e, de repente, produz uma grande quantidade de pinhas. "É claro que esse valor não é real, mas ninguém fiscaliza a propriedade, que provavelmente produz apenas 500 quilos. É evidente que o resto da pinha veio de outro lado, mas ninguém vai ao local inspecionar", denuncia Pedro Silveira. "As pessoas sabem que se fizerem assim não são apanhadas e volta tudo ao mesmo."

O responsável acredita que a situação pode melhorar e que o essencial é ter pessoas no terreno a realizar fiscalizações. No entanto, o membro da direção da UNAC afirma que essas operações vão continuar a ser dificultadas por algo que ninguém consegue controlar: as novas tecnologias. "Antigamente era complicado saber onde estava a GNR. Hoje em dia, com um telemóvel, é muito fácil ter essa noção."

O roubo da cortiça é dos mais falados nos meios de comunicação nacionais e isso deve-se principalmente à quantidade de furtos que vão ocorrendo durante o ano. No final do ano passado, por exemplo, foram detidas 13 pessoas por furto e receção de cortiça roubada no distrito de Setúbal. As detenções surgiram na sequência de várias buscas domiciliárias na região.

Recorde-se que Portugal tem 730 mil hectares de montado e é o maior produtor mundial de cortiça. Os produtores dizem que este é um problema que tem vindo a crescer nos últimos anos e apelam também a uma maior fiscalização, principalmente junto de quem compra o produto. "Os prejuízos variam consoante a qualidade da mercadoria – quando é roubada cortiça de qualidade, que no mercado pode valer cinco euros o quilo, o roubo pode atingir um valor bastante elevado", explica Pedro Silveira.

"Quanto menos trabalho der e mais render, melhor. Essa é sempre a lógica." Para travar os furtos, a GNR pediu no verão passado que os produtores começassem a colaborar com as autoridades, estando atentos aos veículos que passam junto às propriedades e ao comportamento das pessoas que trabalham nas terras.

"O gado é um problema gravíssimo. Tudo se rouba: porcos alentejanos que estão no montado a comer bolota, ovelhas, vacas, é o que calha", explica Pedro Silveira.

O roubo de animais acontece um pouco por todo o país mas, segundo o responsável, o Norte é a região mais afetada. "As quadrilhas de ladrões de gado estão muito ligadas aos matadouros clandestinos, que existem mais no norte do país. Os animais são apanhados, depois são mortos nesses matadouros e a carne é colocada no mercado. Até para os supermercados esta carne pode ir, mas isso normalmente não acontece, pois têm uma cadeia bem organizada. Mas as cadeias de abate ilegal chegam a fornecer restaurantes e estabelecimentos do género", alerta.

Também o furto de cobre traz muitas dores de cabeça aos agricultores. "Para roubarem meia dúzia de tostões estragam máquinas de rega ou postos de transformação de eletricidade, que são muito caros. Roubam 100 euros de cobre e provocam um estrago de milhares de euros. Além disso, se roubarem o cobre de uma máquina de rega durante a altura em que esta está a ser utilizada, podem estragar 30 ou 40 hectares de milho, por exemplo. É um prejuízo de dezenas de milhares de euros", explicou o mesmo responsável.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Produção de azeite diminui

 22-12-2016 
 


 
O Comité Oleícola Internacional (COI) voltou a confirmar as perspectivas de uma campanha de produção inferior à anterior.

A produção mundial deverá situar-se nas 2.713.500t, o que significa uma quebra de 14% relativamente à campanha de 2015/16.

Os países membros do OI alcançarão uma produção total de 2.519.000, das quais os países produtores europeus totalizam 1.923.000t, diminuindo no seu conjunto 17% relativamente à campanha anterior. Espanha com uma produção estimada de 1.311.300t diminuirá (-6%) seguida da Grécia com 260.000t (-19%), Itália 243.000t (-49%) e Portugal 93 600t (- 14%). Os restantes países têm quebras menos acentuadas.

No resto dos países membros do COI estima-se que a produção diminua 7%. As principais quebras são na Tunísia com uma produção de 100.000t que significa uma quebra de 29%, Marrocos 110.000t (- 15%), Argélia 74. 000t (-11%), Jordania 23 000t (-22%), Líbano 20. 000t (-13%), Argentina e Líbia 15.500t (-18% e -14% respectivamente).

Os países que apresentam aumentos são a Turquia que alcançará uma produção de 177.000t o que representará um aumento de 24% relativamente à campanha anterior, o Egipto 27.000t (+8%), Israel 16.000 (+7%), Albânia 11.000t (+5%). Os restantes países têm aumentos menos acentuados.

Fonte: FENAZEITES notícias

O abacate é o novo ‘ouro verde’ e a máfia mexicana quer fazer negócio

28/12/2016, 15:11

A procura por abacate está a encarecer o fruto -- já é chamado ouro verde. O aumento da popularidade tem feito aumentar a criminalidade em países como o México e a Nova Zelândia.

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Por cada quilo de abacate produzido são necessários cerca de 242 litros de água. Os pesticidas utilizados infiltram-se na rede de distribuição de água das populações

De desconhecido até ao 'ouro verde'

Tudo começou quando o Congresso nos Estados Unidos da América levantou um embargo feito ao México que durava há já 83 anos e que limitava a importação de alimentos vindos da América Latina. Com esta decisão, a gastronomia latina registou uma expansão que não só aumentou o seu consumo como também a popularidade dos seus ingredientes. E, logo aí, o "ouro verde" chegou ao auge.

Rico em gorduras saudáveis e vitaminas, com benefícios para a pele e para o cabelo, o abacate tornou-se o super alimento e um produto com utilidade também na cosmética.

Oil will be extracted from avocados like these to be used in cos
Nesta imagem vemos abacates que irão ser utilizados para fins cosméticos. O seu óleo será extraído para indústrias de cosmética que depois exportam os seus produtos.

O crime: Ser o rei do abacate

A área do México mais afetada é o Michoacan, um dos maiores locais de plantação do país. Nesta região, a onda de crime tem aumentado, e todos querem ser o 'rei dos abacates', conta o El Mundo. Muitas vezes, os agricultores são pagos pela máfia para agirem fora da lei: escondem-se para roubar o fruto e chegam até a causar incêndios para poderem depois replantar a fruta. O "Cártel de Los Caballeros Templarios" domina o negócio.

Também na Nova Zelândia, outro grande produtor de abacate, se tem verificado um aumento significativo da criminalidade. Em 2016 foram documentados mais de 40 assaltos às plantações do fruto. Também nos supermercados se fazem avisos aos ladrões que não só roubam dinheiro… como também o 'delicioso fruto', explica o El Mundo.

Num artigo recente, a revista Visão explica que, para os amantes de fruta e, ao mesmo tempo, para os amigos do ambiente, está já a ser criado um selo que irá certificar que dado fruto não foi plantado num pomar que compromete o meio ambiente e, claro, a saúde pública.

A popularidade do fruto traz consigo uma grande ameaça ao meio ambiente. O abacate exige muita, muita água para crescer: para produzir um quilo são necessários cerca de 242 litros de água. No México, por exemplo, 1.000 hectares de floresta são dedicados à produção do abacate.

Mas além da desflorestação excessiva para que seja possível a produção do abacate, bem como os litros e litros de água necessários para que o fruto não passe 'sede', novos problemas surgem: os químicos e seus efeitos na saúde. Segundo conta a Visão, os químicos agrícolas estão a contaminar não só os solos como os próprios lençóis de água, o que, por sua vez, põe em risco a água dos lagos e da própria rede de distribuição para as populações. Isto, claro, coloca em risco a saúde pública.

Segundo o especialista ambiental Alberto Gomez Tagle, a população que depende das águas do rio pode já estar a sofrer efeitos dos químicos lá depositados. Estes químicos não eram comuns até a produção do abacate se expandir em larga escala, usando todo o tipo de pesticidas.

abacatees
Letreiro de aviso em Uayma, México.

O novo bem de luxo… mas não em Portugal

A procura pelo 'ouro verde' tem sido tanta que o fruto é já considerado um bem de luxo, em vários países. Nos Estados Unidos, o preço do produto subiu cerca de um dólar (por fruto), desde o ano passado. Em Espanha, por exemplo, pode-se pagar cerca de dois euros por apenas um abacate e a produção não chega para satisfazer a procura. A nível global, o abacate tem registado um crescimento de cerca de 3% por ano. Em Portugal, no entanto, o abacate ainda não é moda.

Em Portugal produz-se abacate, ainda que o fruto seja exótico e típico da América do Sul. A país produz aproximadamente 2.900 toneladas do fruto numa extensão de 320 hectares de cultivo, sendo que o Algarve é a maior zona de produção do país, com cerca de 230 hectares e uma produção máxima de 1900 toneladas. A segunda maior região é a Madeira.

Se compararmos com Espanha, percebemos o quão pequena é a nossa produção. Nos primeiros nove meses de 2016, conta o El Mundo, a importação do fruto chegou quase às 73.500 toneladas.

INE: Diminuição na produção de azeitona para azeite e milho

 
As previsões agrícolas de Dezembro de 2016, do Instituto Nacional de Estatísticas apontam para uma diminuição significativa na produção de azeitona para azeite, de -20 por cento, numa campanha onde as condições climatéricas da Primavera prejudicaram o normal vingamento do fruto, sobretudo nos olivais tradicionais de sequeiro.

Na castanha, o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) prevê uma produção próxima das 26 mil toneladas, uma das melhores da última década, enquanto para o milho, cuja diminuição da área semeada em conjunto com uma menor produtividade determinaram uma redução da produção de -1,5 por cento, pode vir a registar o valor mais baixo dos últimos cinco ano, pouco acima das 700 mil toneladas.

Quanto ao início da campanha dos cereais de Outono/Inverno, não se verificam problemas na preparação dos terrenos para a sementeira das culturas, observando-se uma germinação regular na maioria das searas.

Para a produção de leite e lacticínios, a recolha de leite de vaca foi de 139,5 mil toneladas, o que representa um decréscimo de 6,0 por cento. A produção total de lacticínios apresentou uma ligeira descida de 0,3 por cento devido ao menor volume de manteiga, de -23.2 por cento; leites acidificados, de -13,5 por cento e nata para consumo, de -2,8 por cento, segundo o Boletim Mensal de Agricultura e Pescas do INE, disponível em anexo.

Descoberto campo de cultivo de batatas com 3800 anos



As escavações puseram a descoberto 3768 "wapatos", o equivalente às atuais batatas
Foto: Pedro Correia/Arquivo Global Imagens


Restos de batatas com 3800 anos descobertos no Canadá são "a primeira prova" de que as populações autóctones da América do Norte já cultivavam o tubérculo.

O batatal, descoberto nas terras ancestrais da tribo Katzie, hoje pertencentes à província canadiana de Colúmbia Britânica, constitui "a primeira prova" de agricultura por parte dos povos caçadores-recolectores da região durante esse período, segundo um estudo publicado na edição de dezembro da revista "Science Advances".

Os autores do trabalho, coordenado por Tanja Hoffmann e por arqueólogos da Universidade Simon Fraser, concluíram que as populações indígenas da região do noroeste Pacífico tinham aproveitado áreas pantanosas para aumentar a produção daquelas plantas alimentares selvagens.

A tribo local colocou provavelmente pedras para delimitar o terreno cultivado e impulsionar o crescimento dos "wapatos", o equivalente às atuais batatas.

Os investigadores encontraram também 150 fragmentos de utensílios moldados pelo fogo no local da escavação, que pensam ser as pontas de ferramentas que serviam para lavrar a terra.

O equivalente antigo da batata, que crescia entre outubro e fevereiro, era para as tribos indígenas uma importante fonte de amido durante os meses de inverno.

As escavações puseram a descoberto 3768 "wapatos", também conhecidos como "batatas indianas".

"Os restos que encontrámos estavam castanhos-escuros ou enegrecidos e, apesar de apenas a face exterior ter sobrevivido na maioria dos espécimes, alguns continham igualmente polpa no interior", refere o estudo.



Comer carne pode ser mais saudável do que ser vegetariano


04/01/2017 19:01

Estudo indica que comer apenas vegetais e fruta pode provocar riscos a longo prazo.

Uma dieta exclusivamente à base de legumes e fruta pode não ser tão boa como se pensava. De acordo com um estudo da Universidade de Graz, na Áustria, pode até comportar riscos para a saúde.

Os investigadores concluíram que uma dieta vegetariana pode significar risco de doenças mentais, risco de cancro e alergia e uma menor qualidade de vida no geral.

Nathelie Burket, a coordenadora da investigação, concluiu que apesar de os vegetarianos terem uma vida mais ativa, fumarem menos e consumirem menos álcool, o facto de consumirem apenas frutas, legumes e alimentos integrais faz com que haja uma carência de gorduras saturadas e colesterol.

A investigação, citada pelo jornal britânico The Independent, analisou 1320 pessoas, 330 vegetarianos, 330 consumidores de carne, 300 com uma dieta comum mas com pouca carne e 330 também com uma dieta comum mas com menos carne.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

9as Jornadas Hospital Veterinário Muralha de Évora


9as Jornadas do Hospital Veterinário Muralha de Évora, ÉvoraHotel 10 e 11 de Março 2017
 
- 3as Jornadas Monte Selvagem: Animais Exóticos,
 
- 1as Jornadas de Sanidade Cinegética,
 
As 9as Jornadas do Hospital Veterinário Muralha de Évora irão decorrer no ÉvoraHotel nos dias 10 e 11 de Março de 2017.

Este evento, considerado como referência nacional nas áreas de bovinos e equinos, consolida-se a cada ano como evento de sucesso e como ponto de encontro entre criadores, produtores e médicos veterinários.

Acreditamos que as Jornadas têm tido uma forte influência na evolução da produção e na maior rentabilidade das explorações pecuárias, especialmente em bovinos em extensivo na região do Alentejo. Somos neste momento o maior evento de Bovinos de Carne de Portugal.

A realização destas jornadas resulta da parceria entre o HVME e a Equimuralha que ano após ano têm tentado inovar e elevar o padrão de qualidade do evento, por forma a responder às expectativas de todos os que nos procuram.

As Jornadas são um espaço também de convívio e troca de experiências entre os produtores e técnicos, onde todos os participantes podem aprender novas formas de trabalhar.
Desde a sua primeira edição em 2009, tem-se verificado um aumento do número de participantes, com a lotação de cerca de 500 participantes nas 8as Jornadas que se realizaram nos dias 4 e 5 de Março 2016.

O tema para este ano será:

- Novas tendências na produção pecuária: Sala Ruminantes
- Estratégias de prevenção: Sala Equinos 

O programa na sala dos Ruminantes versará sobre diversas áreas: doença e profilaxia, nutrição, comercialização, resistência a antibióticos e irá contar uma vez mais com a presença de oradores nacionais e internacionais.
Apresentaremos também várias palestras de Pequenos Ruminantes.

Na sala de equinos serão abordadas algumas estratégias de prevenção das patologias mais frequentes em equinos.

Paralelamente, no 2º dia das Jornadas irão decorrer as 3as Jornadas Monte Selvagem em Animais Exóticos, que serão realizadas em parceria com o Monte Selvagem Reserva Natural.

Este ano com o apoio da WAVES Portugal (Wild Animal Vigilance Euromediterranean Society – PORTUGAL) irá realizar-se também no 2º dia das Jornadas, as 1as Jornadas Técnicas de Sanidade Cinegética. Serão abordados, entre outros, temas como a comercialização, a interface com a produção pecuária e os efeitos da implementação do Edital nº 1 sobre Tuberculose em Caça Maior.

A componente social continuará a ser privilegiada, mantendo-se aberta a todos os participantes no final do 1º dia das Jornadas a já habitual prova de vinhos e produtos regionais onde contaremos também com algumas novidades. O jantar das Jornadas também decorrerá no 1º dia das Jornadas e irá contar como é habitual com muita animação e novidades.





9as Jornadas Hospital Veterinário Muralha de Évora
 
10 e 11 Março 2017
 
  
R. Marechal Costa Gomes, nº 9
7005-145 Évora
 
Contactos:
 
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Área de cultivo de milho OGM em Portugal caiu


por Ana Rita Costa- 3 Janeiro, 2017

A área de cultivo de milho geneticamente modificado em Portugal sofreu uma quebra de 12% em 2016. As conclusões são do Relatório do Estado do Ambiente 2016, apresentado na passada semana pelo Ministério do Ambiente, e mostram que a área nacional de produção de milho transgénico era de 7 056,75 hectares em 2016, uma quebra face aos 8000 hectares registados em 2015.

De acordo com o estudo, apresentado no âmbito do lançamento do Portal do Estado do Ambiente, a área de cultivo de milho OGM tem crescido sistematicamente desde 2005, altura em que situava em cerca de 1000 hectares. No ano passado, porém, sofreu uma quebra, depois de em 2012 ter atingido o maior valor da década (9000 hectares).

A região do Alentejo continua a ser a detentora do lugar cimeiro do pódio como a região com a maior área de cultivo, com um total de 3 345,9 hectares, seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo e Centro, com 2 124,9 e 1 485,5 hectares, respetivamente.

O milho (MON810) é, na União Europeia, o único organismo geneticamente modificado que é autorizado para cultivo, sendo cultivado em Portugal, Espanha, República Checa, Roménia e Eslováquia.

Amêndoa recomenda-se para o Alentejo


Texto: João Barbosa l Fotografia: Nuno Fox- 3 Janeiro, 2017

Filipe Sevinate Pinto - amendoal - Vida Rural

A cotação da amêndoa tem estado em níveis historicamente altos nos últimos anos. Dada a estrutura altamente deficitária do mercado, é esperado que o negócio se mantenha rentável. O Alentejo não tem tradição de amendoal, mas o seu potencial associado ao regadio tornam-no numa excelente alternativa às culturas existentes.

A Migdalo é uma empresa jovem, criada em janeiro deste ano, e ambiciona ser uma referência nacional. O negócio é o da amêndoa, cuja plantação tradicionalmente estava centrada no Algarve e no Douro, mas que nos últimos anos está a avançar em força no Alentejo.

Situa-se em Ferreira do Alentejo, onde se encontram amendoais novos e, para além da produção, vai atuar na atividade do descasque da amêndoa. Três ramos da família Sevinate Pinto são os acionistas e também produtores deste fruto seco.

Os amendoais desta empresa familiar são regados. O fornecimento de água às árvores permite que os frutos atinjam um calibre maior. Acima dos 14 milímetros há uma majoração do preço, conta Filipe Sevinate Pinto, o responsável técnico.

Os amendoais mais antigos datam de 2013. A área em produção tem vindo a aumentar todos os anos. Em números redondos, em 2013 foram 18 hectares, 2014 mais 30 hectares. Em 2015 não houve plantio. Para este ano, o objetivo é alcançar mais 52 hectares num total de 100.

Até agora, as cultivares escolhidas foram a Belona (40%) e a Soleta (60%), ambas mediterrâneas e de casca dura. Para além destas também se enquadram na região a Guara e a Lauranne, entre outras, todas com floração tardia, autoférteis, com bons níveis de produtividade e de grande aptidão comercial, explica Filipe Sevinate Pinto.

amêndoa - Vida Rural

A primeira colheita ocorreu em 2015, proveniente das árvores plantadas em 2013, somando 200 kg de miolo por hectare. Este ano vão entrar em produção as amendoeiras instaladas em 2014. Prevê-se que a produção duplique ou triplique. "Ainda não estamos em velocidade de cruzeiro", refere Filipe Sevinate Pinto.

As amendoeiras têm uma vida útil entre os 20 e os 25 anos, produzindo a partir do terceiro ano. A velocidade de cruzeiro acontece no quinto ano. O plantio faz-se desde a primavera até outubro. A apanha acontece no final do verão, podendo ser em agosto, num intervalo de dois meses. Aqui existe uma coincidência com as vindimas.

Um ano diferente

Em 2016, registaram-se poucas horas de frio, muita geada e chuva na floração (habitualmente no início de março). "Houve condições difíceis, mas é um bom ano. Este ano é, para nós, o de afirmação da cultura", informa Filipe Sevinate Pinto.

Os pomares dos três ramos da família que fornecem atualmente a Migdalo juntamente com as novas plantações previstas assegurarão cerca de 50% das necessidades da sociedade. Os restantes 50% serão assegurados através de parcerias que se estão a desenvolver com a produção da região.

A água que alimenta os pomares provém da barragem do Roxo. A rega faz-se pelo sistema gota a gota. "A amendoeira é uma cultura muito consumidora de água. É o dobro da do olival", prossegue o técnico e sócio da Migdalo.

No entanto, a amendoeira é uma árvore que resiste bem à secura. "Mas a rega torna-a muito mais produtiva", salienta Filipe Sevinate Pinto. O custo da água representa cerca de 10% dos custos de exploração, que podem chegar aos 2000 euros por hectare.

"O negócio será rentável mesmo que se verifique uma quebra para metade do valor da amêndoa em relação aos valores verificados na campanha do ano passado"
A produção da amêndoa mostra-se interessante para os agricultores, estando a Migdalo a constituir-se como empresa industrial de referência, como fator de agregação e desenvolvimento do setor. "O projeto passa muito por parcerias com outros. A produção vai ser muito alavancada com produtores da região", informa Filipe Sevinate Pinto.

O custo de plantação ronda os 5000 euros por hectare. As plantas vêm de Espanha, onde se tem de pagar royalties das melhores cultivares. A plantação é mecanizada, sendo administrada uma injeção de adubo junto à raiz, além de fornecimento de água.

O compasso do pomar tem vindo a minguar, pois as plantas dão sinais positivos. Esta prática permite uma mais rápida ocupação do terreno. Passa-se do modelo mais tradicional para "um sistema mais moderno e que estimula maior crescimento vegetativo, com lançamentos mais finos e mais produtivo", explica o técnico. Inicialmente, o compasso era de sete por cinco: "Tudo o que seja nova plantação estamos a aconselhar um compasso de seis por quatro".

O poder de antevisão

Filipe Sevinate Pinto elogia a escolha do pai (Armando Sevinate Pinto), que salienta que foi "um visionário". "Percebeu a tendência de mercado e porque Portugal é importador. Pensou na noz, mas achou que a amêndoa é mais indicada para o clima português".

A amendoeira é uma árvore tradicional da agricultura portuguesa, muito embora não o seja no Alentejo, onde os amendoais da família Sevinate Pinto estão instalados. Filipe Sevinate Pinto explica que nesta área se consegue um crescimento rápido e boa produtividade.

Outra vantagem é a complementaridade com o olival. As épocas das colheitas estão desencontradas e a maquinaria é a mesma. Embora as práticas sejam diferentes, "quem faz olival adapta-se facilmente ao amendoal", adianta Filipe Sevinate Pinto.

amêndoa - Vida Rural

À amêndoa tem de ser retirar o mesocarpo, a designada despela, que pode ser realizada no campo. "Seguidamente faz-se a secagem, processo que pode ser repetido diversas vezes, conforme os níveis de humidade. Faz-se com casca e depois quando for produto acabado".

A produção dos Estados Unidos da América representa 80% do total, enquanto a da União Europeia se fica pelos 8%. O bloco europeu importa anualmente entre 225 e 265 toneladas, sendo 90% oriundas dos Estados Unidos da América – segundo o Departamento de Agricultura (USDA). A Alemanha, Espanha, Itália e Holanda representam 75% do consumo na União Europeia. Potenciais bons clientes são também os países do Médio Oriente e a Índia.

Fábrica pronta a laborar

A Migdalo tem agora uma unidade industrial, que se traduziu num investimento de 2 000 000 euros. No entanto, respeita apenas à primeira fase, e houve a preocupação de construir com espaço para que a produção possa aumentar.

No exterior, faz-se a receção dos frutos, uma pré-limpeza e a despela. Na nave, faz-se uma armazenagem dos frutos ainda com casca, que serão descascados acompanhando as necessidades comerciais., o que permite "laborar muito depois da campanha".

Esta unidade fabril dispõe de britadeira (descasque), calibradora e escolhedores eletrónicos, que fazem a separação por calibres. "Quanto mais homogéneo for, mais passível de conseguir melhor preço", informa Miguel Matos Chaves, diretor-geral da Migdalo. Contudo, o olho humano é o que ditará a última sentença, numa mesa de escolha utilizada na última fase de pré-embalamento.

A pele exterior do fruto pode ser aproveitada para alimentação animal. Devido ao grande poder calorífico, as cascas podem ser utilizadas em sistemas de aquecimento.

As máquinas são da Borrell, estando os funcionários da Migdalo a receber formação. A empresa emprega atualmente quatro pessoas, dois do quais operários.

Para o futuro projeta-se a criação de marca própria, com diferentes vertentes com valor acrescentado, como amêndoa laminada, palitada ou torrada, entre outras. A unidade "está preparada para futuramente poder incorporar essas fases do processo", diz Miguel Matos Chaves. Têm sido realizados ensaios com frutos da colheita do ano passado.

Vendas prometedoras

O mercado dos Estados Unidos da América representa 85% do total. Porém, Espanha também influencia o setor. "A amêndoa americana é de casca mole. As variedades de casca dura são as mediterrâneas, que são mais valorizadas e têm uma conotação de qualidade", salienta o diretor-geral da Migdalo. Assim, o preço varia conforme as cultivares, para as quais existe cotação em mercados. "A Marcona pode chegar aos 8,10 euros e a Largueta aos 6,75 euros. Os frutos indiferenciados, de calibres mais pequenos ou misturados, podem valer até 5,50 euros, segundo as últimas atualizações" – informa Miguel Matos Chaves. Embora represente uma quebra, expectável após os máximos históricos atingidos na campanha anterior, a cultura mantém níveis de rentabilidade altos.

Acompanhando a subida dos preços, o número de pomares e de área irá certamente aumentar, sendo que existe espaço no mercado internacional para absorver esse acréscimo de produção. "Ainda assim, o negócio será rentável mesmo que se verifique uma quebra para metade do valor da amêndoa em relação aos valores verificados na campanha do ano passado" – diz Filipe Sevinate Pinto.

Esta unidade vai garantir o escoamento e valorização da amêndoa alentejana com alternativa a Espanha, reduzindo a distância entre a produção e a indústria e funcionará como agregador da produção, tendo como fornecedores desde o pequeno ao grande agricultor. Só no Alentejo foram cultivados 2000 hectares, havendo perspetiva de mais 5000. Como comparação, Filipe Sevinate Pinto refere que existem 22 000 hectares com vinha.

Homem morre em acidente com máquina agrícola

Óbito foi declarado pelas equipas do INEM que se deslocaram ao local. 
29.12.16

Um homem de 58 anos morreu esta quinta-feira na sequência de um acidente com uma máquina agrícola, uma motocultivadora, quando estava a trabalhar num terreno em Barqueiros, Mesão Frio, disse fonte dos bombeiros. O comandante dos bombeiros de Mesão Frio, Paulo Silva, afirmou à agência Lusa que a vítima, um emigrante que estava de férias, foi colhida pela máquina e que, devido à gravidade dos ferimentos, acabou por morrer no local. 

O óbito foi declarado pelas equipas do INEM que se deslocaram ao local. O alerta para o acidente foi dado pela mulher da vítima, pelas 10:35, e para o local foram mobilizados 22 operacionais, com sete viaturas, dos bombeiros, INEM, Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) e GNR. Paulo Silva referiu que o helicóptero do INEM foi acionado, mas teve muitas dificuldades em aterrar devido ao nevoeiro que se faz sentir na zona.

Bacalhau, azeite e leitão na mira da ASAE


Lígia Simões
 29 Dez 2016

Autoridade de Segurança Alimentar e Económica intensificou ações de fiscalização nas cadeias de supermercados. Atuação é justificada como aumento de procura de alguns produtos na época natalícia.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) intensificou a fiscalização a cadeias de supermercados para averiguar a venda com prejuízo de determinados produtos com maior aumento da procura por parte dos consumidores e que na época natalícia têm maiores promoções. Na mira das brigadas especializadas estiveram produtos como bacalhau, azeite, leitão, conservas e outros.

"Face ao aumento da procura por parte dos consumidores de determinados produtos, e face às promoções existentes nas cadeias, foi intensificada a fiscalização por parte das brigadas especializadas, para averiguação da prática de eventuais Práticas Individuais Restritivas do Comércio, designadamente a oferta para venda ou venda com prejuízo nos diversos operadores económicos", revela a ASAE, em comunicado, realçando que foi "dada especial atenção a produtos como bacalhau, azeite, leitão, conservas e outros".

Segundo a ASAE, foram realizadas várias ações de fiscalização no âmbito da garantia da Segurança Alimentar, tendo fiscalizado 296 operadores económicos que comercializam produtos caraterísticos destas épocas, tais como o borrego, cabrito, leitão, azeite, peru, o bacalhau, o polvo, bem como os doces e frutos secos, entre outros.

"Durante as ações de fiscalização foram verificadas as condições de higiene, segurança e qualidade dos géneros alimentícios, designadamente normas de comercialização, rotulagem, condições de conservação e armazenagem e ainda questões relativas ao licenciamento", avança a ASAE, dando conta que foram instaurados 27 processos de contraordenação e dois processos-crime relacionados com comercialização de géneros alimentícios avariados e com abate clandestino que levou ao desmantelamento de um matadouro ilegal com dois indivíduos detidos envolvidos nesta atividade ilegal.

As principais infrações detetadas, acrescenta em comunicado, foram o incumprimento dos requisitos gerais e específicos de higiene, a falta de preços em bens, infrações relacionadas com o livro de reclamações, bem como a inexistência de processo ou processos baseados nos princípios do HACCP (sigla internacionalmente reconhecida para Hazard Analysis and Critical Control Point ou Análise de Perigos e Controlo de Pontos Críticos). Outras infrações sinalizadas pela ASAE passam pela falta de mera comunicação prévia, pelo incumprimento da rotulagem da carne de bovino e a colocação no mercado de produtos de origem animal fabricados em estabelecimento não aprovado e pela falta de requisitos em géneros alimentícios.

A ASAE revela ainda que foi suspensa a atividade de uma indústria de produtos da pesca por falta de licenciamento e apreendidas cerca de seis toneladas de géneros alimentícios, dois instrumentos de pesagem e material diverso usado na prática de infração de abate clandestino, no valor aproximado de vinte mil euros.

“Os portugueses ainda acham que bom azeite é o que o primo traz da terra”


25/12/2016, 12:164.837

Edgardo Pacheco é um jornalista apaixonado por azeite. Dessa paixão resultou "Os 100 Melhores Azeites de Portugal", onde se aprende que a acidez é um mito e que há variedades para todas as ocasiões.

A história é contada na primeira pessoa, às primeiras páginas de "Os 100 Melhores Azeites de Portugal": em 1998, durante um jantar faustoso, o jornalista Edgardo Pacheco viu um espanhol pedir azeite para temperar, a frio, uma peça de borrego que tinha acabado de lhe ser servida. O ato, que muitos encararam com estupefação, fê-lo aperceber-se, com tristeza, que pouco ou nada sabia da poda.

Decidido a remediar essa falha, participou, ainda nesse ano, na sua primeira prova de azeites, organizada pelo mesmo homem que lhe viria mais tarde a pegar o vício, José Baptista Gouveia, professor jubilado do Instituto Superior de Agronomia. E nunca mais parou. "Provo azeites desde essa altura. E com bastante regularidade há quase dez anos. Cursos já fiz todos os que existem em Portugal. E como não há mais, vou repetindo os módulos que já fiz", recorda por telefone a partir da sua ilha-natal, a de São Miguel, nos Açores.

AZEITESCAPADR

O livro foi editado pela Lua de Papel e custa 22€.

"E se falássemos a sério de azeite?"

"Os 100 Melhores Azeites de Portugal" é um título que se compreende, especialmente numa era em que a internet prova, todos os dias, o poder apelativo da fórmula o melhor [produto] de [localização]. E, de facto, o autor faz a respetiva seleção no seu interior, elegendo, inclusive, um top 10. Mas acaba por ser muito redutor olhar para este livro apenas como um guia de compras de azeite.

O autor

Edgardo Pacheco é jornalista desde 1992 e dedica-se a assuntos de gastronomia há mais de 20 anos. Atualmente, é possível lê-lo no Jornal de Negócios e Correio da Manhã, onde a sua presença se estende aos ecrãs: conduz o programa "Prato da Casa" da CMTV. Este não é o primeiro livro com o seu nome na capa: em 2014 escreveu, a meias com o jornalista e crítico gastronómico Fernando Melo, o "Guia de Restaurantes de Portugal".
A frase acima reproduzida a negrito foi escolhida para introdução da obra e bem que podia tê-la batizado por completo. Porque resume da melhor forma a intenção de Edgardo e tudo aquilo que o levou a ter, durante meses, mais de 200 garrafas de azeite e uma coleção admirável de copinhos azuis de prova espalhados por casa.
"Há uma certa sensação de revolta da minha parte. Principalmente quando vejo os azeites portugueses a fazer brilharetes lá fora e depois percebo que isso cá dentro não passa", explica. Mas porque é que não passa? O problema, explica, está na proximidade que temos com o azeite. "Quando convivemos muito com determinado produto achamos que sabemos tudo sobre ele. Adquirimos determinados hábitos e sentimos que não é preciso saber mais. E as pessoas cresceram com azeite, faz parte da história, da sua alimentação."

Edgardo Pacheco
Edgardo Pacheco escreve sobre assuntos relacionados com gastronomia desde 1996. Atualmente apresenta o programa "Prato da Casa", na CMTV. (foto: © Jorge Simão)

Trocando por miúdos, os portugueses são, regra geral, maus consumidores de azeite. "Muitos ainda acham que bom azeite é o que o primo traz da terra", afirma Edgardo antes de explicar que é muito frequente, em provas, ver pessoas a favorecer azeites defeituosos, principalmente com aroma a tulha. Ora a tulha era o local onde habitualmente se conservavam as azeitonas antes de lhes começar a extrair o sumo.

As azeitonas amontoadas em tulhas de madeira começam a fermentar e a ganhar um conjunto de aromas e sabores desagradáveis peculiares (azeitonas apodrecidas + madeiras húmidas), que jamais darão origem a um azeite virtuoso. Como durante centenas de anos se conservavam as azeitonas em tulhas de madeira, quase todos os azeites vinham com esse defeito. Daí que muita gente entenda, ainda hoje, que um azeite genuíno deve cheirar e saber a tulha."
Mas não deve. E, garante Edgardo, os mesmos consumidores que à primeira prova elegem os azeites defeituosos como os da sua preferência conseguem identificar esses mesmos defeitos mais tarde. Basta um pouco de treino, não muito. Aliás, a análise sensorial no domínio dos azeites é algo recente. "Começa nos anos 90 e é também nessa altura que se inicia o processo das DOP de azeite. Antes nem isso havia. A cultura do azeite é milenar mas tudo o resto é novo."

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Lê-se no livro: "O azeite é, pura e simplesmente, sumo natural de azeitonas, obrtido através de processos mecânicos básicos (pressão da polpa dos frutos). E nada mais." (foto: iStock)

O bom azeite nem sempre vem ao de cima

Em Portugal, há dois grandes embaladores de azeite, Gallo e Oliveira da Serra, que juntos representam 60 a 65% da quota de mercado. E isto, citando o autor, "cria dificuldades aos pequenos produtores no acesso aos grandes canais de distribuição." Pior: apesar de veicularem mensagens de portugalidade nas suas ações de comunicação, as duas marcas usam azeites importados do mundo inteiro para fazer a grande maioria dos seus lotes. "Eles não estão preocupados em criar um azeite de matriz portuguesa. Estão é preocupados em agradar ao perfil dos seus consumidores", aponta Edgardo.

Os problemas não se esgotam aí. Primeiro, a ausência da data de colheita: alguém imagina um vinho ser comercializado sem a indicação do ano? Idealmente, devia consumir-se apenas azeite da colheita mais recente, já que, como se lê no livro, este "começa a perder riqueza de aromas e sabores a partir do primeiro dia em que é extraído das azeitonas". Edgardo dá o exemplo italiano e espanhol, onde é comum o azeite da campanha anterior ser vendido com desconto. Em Portugal resta-nos confiar numa data de validade escrita em letra miúda. Depois, a inexistência de notas de prova. "Do ponto de vista legal nem se podia, pelo menos até há pouco tempo, ter notas de prova numa garrafa de azeite." E porquê? Edgardo avança com uma hipótese: "Não há muito interesse por parte dos grandes operadores que haja um certo dinamismo da área."

Azeites Top 10
O azeite ribatejano Cabeço das Nogueiras Premium faz parte do Top 10 eleito por Edgardo Pacheco. (foto: © Jorge Simão)

Apesar disto, é previsível que continuem a aparecer no mercado novos azeites de pequenos produtores. "No fundo, funciona como a moda dos vinhos. O investimento em área de olival aumentou imenso e nos últimos anos plantaram-se uns 30 mil hectares de olival com produções super intensivas", justifica o autor.

Como escolher um bom azeite?

Havendo oferta, que a há — não esqueçamos que a obra identifica 100 azeites virtuosos — caberá aos consumidores saber encontrá-los. À pergunta "como escolher um bom azeite?", Edgardo responde com uma condição primordial:

A primeira coisa a fazer é esquecer a lengalenga da acidez. Ainda hoje se acha que o grau de acidez é que conta. Mas não conta para nada. É um erro que merece quase uma investigação, porque é que a acidez é critério. Antigamente os azeites deviam ser tão ácidos que causavam problemas, daí a expressão 'está com os azeites'."
Azeite para cozinhar?

Se o objetivo do azeite for temperar a cru, este deve ser virgem extra, a categoria máxima dentro dos azeites. Mas se o objetivo for confitar, fritar ou refogar, não vale a pena estragar um azeite dessa gama: um virgem serve perfeitamente. No caso de frituras de grandes quantidades pode mesmo usar-se azeite de qualidade inferior.
Na verdade, e ao contrário do que se pensa, a acidez não tem cheiro nem sabor. E mesmo na gama mais baixa de azeites, que mistura lampantes refinados (azeites defeituosos que são submetidos a um processo industrial de limpeza) e virgens, há garrafas com apenas 1% de acidez, só duas décimas acima do máximo (0,8%) permitido para os virgem extra. E por falar neles, eis outra dica do especialista.

Para temperar a cru devemos escolher sempre azeite virgem extra. Quando escolhemos um virgem extra temos garantia imediata de qualidade, é a excelência em matéria de azeite."
Depois, explica o autor, "é uma questão de gosto". O bom azeite, tal como o vinho, traz consigo o terroir da região em que é produzido. Uma lição rápida nesta matéria:

Para quem gosta de azeites mais verdes, com aromas verdes, de relva, de folha de oliveira, de couve e sabores amargos e picantes na boca, o terroir de eleição será Trás-os-Montes. Se gostam deles mais suaves, mais doces, mais tranquilos, não amargos e pouco picantes devem consumir azeites do Alentejo e Ribatejo. Já os azeites do Douro têm um perfil peculiar. No Baixo Corgo e Cima Corgo os azeites têm notas de frutos secos e especiarias, alguns têm notas de canela, bastante vincadas, arbustos e ervas aromáticas que os tornam muito interessantes para usar em sobremesas, com chocolate ou até gelado."
O ideal será não ter apenas uma garrafa de azeite em casa, mas várias, usando-as conforme as ocasiões. Se for para temperar carnes acabadas de sair do forno, por exemplo, um azeite mais forte (Trás-Os-Montes), já para peixes, sopas e outras receitas mais delicadas, azeites mais suaves (Alentejo e Ribatejo).

Basta ter três azeites diferentes. Um que sirva para peixe, outro que sirva para carne e outro que sirva para outras brincadeiras. Para temperar cozidos a vapor, por exemplo, não é preciso um azeite muito intenso. Mas imagine-se uma salada com anchovas: aí um azeite mais picante fará algum sentido. Depende da ocasião."
Quem se quiser aventurar num uso ainda mais inventivo do produto deverá ter em conta as 25 receitas sugeridas no livro, da autoria de alguns dos melhores chefs a trabalhar em Portugal e com direito a excelentes fotografias de Jorge Simão. Do "Bacalhau com os seus sames", de Pedro Lemos , ao "Carpaccio de polvo" assinado por Rui Paula. E sim, o azeite também vai bem à sobremesa, como o provam o "Gelado de azeite" de Rui Pascoalinho ou o "Leite Creme de Azeite, Gelado de Lima Kaffir e Caramelo" de Ricardo Costa.

Curiosamente, da restauração acabou por vir mais do que apenas estas receitas. Desde o lançamento do livro que Edgardo tem recebido, também, telefonemas de chefs e empresários da área interessados em construir uma carta de azeites. "Eu não me importo nada de ajudar, com a condição de que alguém fique responsável por rodar os azeites a cada três ou quatro meses", assegura o autor, surpreendido com tantas reações ao seu livro: "Estava absolutamente a léguas de esperar isto. Achei que a paixão pelo azeite era uma doença minha."